Dueto da tarde (CXXXIX)



Dueto da tarde (CXXXIX)

Quem beija as ondas salgadas dessa praia despovoada acaricia a brisa leve da tarde, canta junto aos pássaros e se despede do sol dando boas vindas para a lua que vem?
Uma sombra do sol, talvez, que é talvez mais um tanto de sol confirmando-se no azul de sua casa e no azul de nossa casa.
Na perfeição dessa vida presenteada encaixam-se os aplausos e agradecimentos. Decorando o laço colocam-se os encontros e casamentos... Sublimes momentos.
Os pés procuram nuvens para caminhar, os olhos procuram colírios nas estrelas.
E quem será que abraça as areias quentes e aposta corrida com caranguejos, sobe em coqueiros e bebe o coco e deita na rede olhando o barco e esperando a noite cair?
Na brisa que descreve o nome das coisas apenas para esquecer o nome das coisas no próximo sopro estão alguns aromas que se divertem com a investigação.
Na névoa a reflexão de um futuro novo nos moldes do presente vivente, pois o que seria esperado por todos foi deixado de lado por livre e espontânea vontade.
No orvalho das manhãs sempre esperançosas um reflexo da última estrela sorridente é como um retrato diáfano que se desmancha em essências.
Mais um dia e um sorriso e cresce o eucalipto em direção ao infinito; vem o banho vem à chuva e cai como uma pluma em direção ao lirismo.
E é com ele nas mãos que o beijo nas águas salgadas também é o beijo nas águas doces, porque a doçura não escolhe gostos, a doçura apenas gosta.

Rogério Camargo e André Anlub
(30/4/15)

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