Dueto da tarde (CXXXVIII)

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Dueto da tarde (CXXXVIII)

As lamentações da menina complicada batiam numa parede de indiferença,
Mas não a muralha sólida do machismo (desse era estava habituada, não conivente). Era algo mais fácil de engolir, se fosse compreendido. Mas se a menina compreendesse a indiferença da parede provavelmente não se lamentaria. Nem seria complicada. 
Na visão nada simplista da maioria: a maioria quer ser compreendida e não compreender. Então assim se coloca um cérebro na parede com direito a diploma de filosofia.
A menina chama pintores, decoradores, construtores, arquitetos, engenheiros: ninguém possui a fórmula e a parede permanece intacta.
Habitualmente, no corriqueiro das pessoas, a saída seria construir outra parede em frente à parede; camuflar o problema criando outro.
A menina não chamou os técnicos para isso. Ela quer a parede no chão e quer seu cérebro, com diploma e tudo, nas nuvens.
Empenhou-se – trabalhou e estudou para isso –, e agora quer seguir com sua profissão. Mas a parede é forte e a protege do frio, do vento, do sol e da chuva.
Tanto estudo para chegar aonde já estava. As lamentações da menina complicada vão valar esta mesma linguagem com a indiferença da parede até o fim da vida.
Já há uma enorme torcida para que ela faça pelo menos uma janela para olhar o mundo, mesmo de longe.
Mas a menina é complicada. Janelas simplificam. Janelas mostram além deste aquém.., Isto simplifica.
Só a vida estava de acordo com ela, ratificando sua fala, andando de mãos dadas, pelo simples fato de também ser complicada. 
Aos olhos de qualquer menina lamentosa a vida é complicada. E esta era a vida dela.

Rogério Camargo e André Anlub
(29/4/15)

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