Meu mar é mais melo que marmelo



Meu mar é mais melo que marmelo 
(André Anlub - 24/1/15)

Dizem que a inspiração vem pelo ar, (e é absurdamente bem-vinda, como o amor esvanecido), e as asas invisíveis já estão batendo, em sintonia... distintas criações e influências passeiam pelo ar; dizem que surgem e vão-se como uma espécie de epidemia... voejando; passam por frestas de janelas, levantam e assentam folhas, poeiras, ouvem besteiras da larga e desumana boca da intolerância que um dia há de se acabar. Seguem voando... Incidem nos cabelos das morenas, das meninas, pegando carona em seus luxuosos pensamentos... aprofundam-se em sonhos e estacionam (provisoriamente) nas imagens, nascem delas ou as inventam; criam pessoas, situações; criam o mar e canoas – criam o navegante – esculpem a perfeição. “Queijo coalho, pamonha, acerola, açaí”. Gritou o vendedor enquanto eu resolvi rabiscar esse texto; o açaí lembrou-me o mar. Quero o som do mar, a visão do mar, o sabor do seu sal, tombar na monumental percepção de bem-estar; (mesmo estando longe, e onde mais eu estiver, e hoje, e sempre)...
Quero seus beijos, seu toque, seu banho.

O açaí e o tudo me lembram o mar, lembram que o amor foi mergulhar e não voltou, pois se transmutou em mar... E está bom, está de bom tamanho.

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