Um quê de Bovarismo



A tal mutação em determinada sociedade deve-se que principiar unicamente nos próprios umbigos; caso contrário é plantar limão e esperar laranja.

Limpeza dos corações inteligíveis (Um quê de Bovarismo)
- André Anlub

A realidade concorre com minhas vertentes
e elas, céleres e insanas, saem na frente.
Ouvi dizer que sempre vale a pena.
Faço roleta russa com o imaginário
e nesse voar de um total inventário
castram-se cobiças e integra-se a pena.

Vozes tendem o som do trovão
apocalíptico pisar no vil tédio.
Letras brotam num mata-borrão
curam, inebriam, quão doce remédio.
Estouram paixões sempre aludidas
cantam canções, danças nas chuvas.
No certo e no cerco um céu de saídas
arte que inspira expurgando áureas turvas.

Ah, nesse amor descolado, desnudo
das mais gostosas traquinagens
organizando as engrenagens,
desorientando meu mundo.

Acordei afogado no pranto
praticamente um tsunami violento
que fez-me lembrar dos tantos encantos
que migraram para o desejo vagabundo.

O tempo se esgota, é a gota d’água...
que desagua na grota e no vento.
Pois invento a lorota da mágoa
por não encontrar meu contentamento.

Perco a razão do vivente
mas no convívio, dentro de um conto
lapido do meu jeito o sonho
E à francesa, saio pela tangente.

Ah, sei que o seu pensamento é só meu
e num breve instante em branco
escorrem os pigmentos mais francos
e colorem todo o nosso apogeu.

Esvazie-me – preencha-me
conheça o verso e o avesso
rima após rima, sabe que deixo!
E depois, ao acordar sozinha

vá viver se estou na esquina.

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