Dueto da tarde (CL)



Dueto da tarde (CL)

A luz olhou para o diamante e disse: "Vai, Carlos, ser gauche na vida".
Em um tom num dom de um prisma de amores fez-se então a disseminação da branca luz nas constâncias do espectro aos olhos... Produzindo cores.
E daí a luz disse: “Volta, Carlos, de ser gauche na vida”.
Em um som num “bum” de uma batida de tambores à Nick Mason, desfez-se então a transformação: o arco-íris volta a ser feixe luminoso.
Carlos, entre ir e voltar, nunca esquecerá deste acontecimento na vida de suas retinas tão fatigadas.
Criação e criatura – interligadas – como a vida que desenha/colore – embranquece/apaga.
A tela primeiro é nenhuma; e tudo está ali. Depois a tela também é nenhuma; e tudo continua ali. 
A respiração é assim: a plena musa música da natureza imprime as cores da natureza que por sua vez inspiram o som que expira em cores.
Carlos pergunta: “E agora, José?” Mas José também se perdeu no que vem depois do diamante.
Empacam por um instante na inconstância da situação: a natureza fez escasso o diamante e abundante a luz; José faz caro o que lhe é raro e Carlos faz barato o que lhe é farto.
Há uma pedra no meio do caminho dos dois. Talvez esta pedra seja o diamante, mas nada se pode ver ainda. Há um homem por trás dos óculos (Carlos, José, qualquer um), mas ele ainda não os abriu. 
É noite e a lua se esconde atrás de uma nuvem escura. Põe-se junto à luz que descansa um pouco por mais um dia árduo de trabalho.

Rogério Camargo e André Anlub
(11/5/15)

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