Dueto da tarde (CLIII)

A natureza é encantadora!Climatologia Geográfica
Posted by Climatologia Geográfica on Terça, 12 de maio de 2015


Dueto da tarde (CLIII)

Hei você, essa estrada é difícil, íngreme e costuma ter cobras.
Você não precisa de binóculos, bússola ou protetor solar. Você precisa de atenção.
Há caminhos fáceis com portas abertas e muros baixos, uns até tem tapete vermelho.
Há caminhos tão fáceis que você nem precisa caminhar: eles te levam sozinhos. Essa estrada não é um deles.
Já vi gente indo voando como pássaro, mas quando saíram do transe estavam parados no mesmo lugar.
Já vi gente caindo como pássaros sem asas. Humanos são pássaros sem asas. Humanos têm estradas para andar e pés.
Ali, há um atalho... Naquela rua vagabunda e insalubre, onde mortos-vivos caminham tropeçando e pitando seus cachimbos malditos.
Ele vai dar num beco, o beco vai dar num brete, o brete vai dar num labirinto, o labirinto, depois de uma vida inteira, vai dar num atalho.
Posso até levá-lo no meu lombo de meio homem forte meio cabrito forte. Mas vai custar o olho da cara... Mas somente um. Ainda terá o outro para enxergar.
Mas pense bem: eu posso ser um atalho... Largue binóculo, bússola, protetor solar e preste toda a sua atenção: eu posso ser um atalho...
Há de se reafirmar esse contrato comigo, como novo amigo e aspirante contratante. Há, por um instante, a necessidade da troca de espírito... Somente por um dia.
Um dia pode ser uma vida. Uma vida pode ser uma eternidade. Uma eternidade pode ser a falta de tinta para reafirmar esse contrato.
Hei você, volte! Ainda não terminamos nossa conversa. Por que arregaçou as mangas e calçou suas chinelas? Tem certeza que vai encarar esse caminho?

Rogério Camargo e André Anlub
(14/5/15)

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