Escrevinhador de inteira tigela



Escrevinhador de inteira tigela
(André Anlub - 18/4/13)

Não me observo mais em ingênuos instantes
Só quando as toalhas molhadas estão em cima da cama;
Onde está o meu sonho de morar numa praia distante?
- Perdeu-se ao preocupar-me com uns pedaços de panos.
Quero parar de procurar meus escritos perdidos
E meus livros rasurados que foram jogados à toa.
Deixei a paleta sem tinta e o meu colorir sem aquarela,
Deixei vazia a panela; não, não fui pescar na lagoa.
Disfarço e não vejo meus textos sem nexo,
Nem os sonetos sem rima de um sentimentalismo perplexo.
O meu ser já perdeu a transparência intacta,
Sendo um homem de lata sem coração nem reflexo.
Enfim, quiçá eu seja insano escrevinhador,
Que às vezes conduz a dor, deixando o amor conservado.
Mas naquilo com esmero é um deslumbrado sincero,
Que tem quentura e frieza no escrever que me presto.

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