Não é hobby – não é trabalho... É o “escambau” e ponto final.

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Não é hobby – não é trabalho... É o “escambau” e ponto final.
(Manhã e tarde de 14 de maio de 2015)

Foi pela manhã, pelo canto do galo, a bola girando e ninguém preocupado com o atum em extinção e o gelo derretendo nos polos. Ainda um pouco cedo para quem ficou lendo, trabalhando em projetos e foi dormir lá pelas duas da matina. Antes de acordar ainda ouvia dentro do sonho o telefone tocando... Finalmente acordei, sai correndo e ainda atendi; era um telefonema da vice-presidente de uma das academias de letras na qual faço parte. Era de assunto burocrático, um tanto pragmático, a respeito de um projeto que estou participando e blá, blá, blá... Tudo na mais perfeita ordem... Aleluia; pois então terminei a conversa, lavei o rosto, escovei os dentes com gosto de ontem na boca; uma mordida no cereal e o café rápido de máquina para depois fazer o “oficial”... E na minha meditação matinal algo inusitado me ocorreu: resolvi então não chamar mais minha escrita de hobby; bem, o que é a “minha escrita”? – Minha escrita é a dedicação aos textos, aos poemas, redes sociais, aos amigos poetas, as mais de cinquenta antologias que participei, aos livros dos amigos que divulgo, meu site, livros que doei, livros que vendo e muitas vezes brindo, com bastante carinho, e alguns deles com certeza ficam enfeitando as estantes (arrisco dizer que alguns até estão servindo de apoio para móveis). Minha escrita é isso e mais alguma coisa que não vou colocar aqui/agora para não ser prolixo. Despontei da meditação com duas certezas: (1) não quero mais chamar de hobby e (2) a escrita é trabalho e trabalho árduo – e muito prazeroso, diga-se de passagem –, mesmo sem um retorno financeiro sólido e significativo (falta bufunfa – cascalho – dindin). É triste constatar que o escritor, poeta, artista plástico, músico, compositor ou qualquer outra profissão embutida nessa arte de criar e/ou ensinar não tenha o seu valor apropriado, justo e satisfatório. No nosso país, e em muitos outros, é deprimente ver que o professor – ofício determinante e de suma importância na criação de qualquer individuo – não tem a quinta parte do valor que merece. Pulando a manhã, pois passei-a toda com o meu antigo hobby na cabeça; havia dias que eu não dava minha caminhada vespertina: ir ao banco, na lotérica, ir na praça, no mercado ou simplesmente gastar sola de sapato. Hoje fui dar uma andada e deparei-me com um amigo muito distinto, que prezo muito (corro o risco de ele estar lendo essas linhas nesse momento); vizinho simpático, que adora meus livros e o que escrevo, amigo bom de copo e de papo inteligente. Conversamos sobre o próximo negócio dele, pois o mesmo já foi dono de um restaurante no centro que foi muito criticado, pois o taxaram de boêmio, de boa vida, de quem só abriu e administrou o restaurante para se auto intitular trabalhador (herdeiros apontando dedos a herdeiros – hipocrisia pura). O restaurante em questão só conheci por nome e em diversas histórias de outros amigos e conhecidos de copo (nessa época eu não residia por aqui). No momento ele quer abrir uma padaria. Mas não aquela padaria convencional, de filas de pessoas em direção ao caixa com suas notinhas nas mãos e uma pressa e calor terríveis; não aquela com frangos girando, iogurtes baratos, salgados oleosos e massudos iguais os rostos dos funcionários. Mas sim uma padaria com uma boa gama de cafés, uma música ao fundo (pensei num jazz), opções imensas de pães e frios, um bom padeiro e entregas em domicílio. Sim, a domicílio. Confidenciou-me que essa ideia da entrega veio da minha boca há cinco anos. Na época conversávamos na rua André Cartaxo, onde eu residia, e eu atrasado cortei o papo pois queria ir comprar o pão ainda quente na rua da perimetral. Comentei a ele que não entendia o porque de nenhuma padaria fazer entregas de moto ou até mesmo bicicletas, pois tinham corriqueiramente um grande movimento  naquele horário de fim de tarde. Passados tantos anos e agora fiquei feliz com a lembrança da ideia, pois até eu mesmo sendo o “autor” da mesma só recordei depois que fui lembrado. Sai da conversa e lembrei-me dos meus pensamentos pela manhã, de como a energia negativa é perigosa e temos sempre que ficar preparados para quaisquer imbróglios do caminho. Também me banhei com energias boas e com a certeza de uma coisa: não importa como as pessoas olham seu ofício, como irão falar aos ouvidos abutres, quantos dedos apontam para você quando se está de costas... Não importa! Essa é a sua labuta e ponto final. Então, só de sacanagem, resolvi voltar a chamar de hobby.

André Anlub

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