Dueto da tarde (CLXXI)



Dueto da tarde (CLXXI)

O intermédio veio tomar seu remédio através de um médico que não interveio.
Não sabe muito bem qual é a doença. Talvez o que pensa. Talvez a busca de recompensa.
O corpo está grená e há penas soltas ao vento. Todos estão com pena pois pensam ser gangrena ou falta de grana apenas.
Qualquer coisa que se resolva ou se dissolva na alcova. Precisa se casar urgentemente. Com uma intermédia?
A medida dita certeira seria uma enfermeira, meio enferma – meio sem beira –, para ele não perder o sentido se sentindo inferiorizado e infernizando o seu meio.
Porque inferniza: faz perguntas que não precisa, não olha o chão em que pisa, em ver de ouvir teoriza, oscila mais que a Torre de Pisa.
Medita a dita meta, se mete a ir à Meca... Agora não! Há dificuldades pendentes, faculdades, mentes e dentes a mastigar.
É intermédio: quer um intermediário. Diário tormento para quem deseja que ele seja apenas o que é.
Paradoxo chocho, nada pouco e louco: a hipocondria aumenta sua glicemia, e para combater vem à alquimia de mais remédio.
Pois então fica aí, diz a vida. Ele acredita. E a vida estava só jogando com ele.
Pois então venha cá, diz a morte. Ele tem sorte de não confiar em um magrelo que carrega uma foice e não é roceiro.
Entre Seca, que rima com furreca, e Meca, que ele quer visitar um dia, há qualquer coisa de... intermédio.
Para viver e fazer planos não há remédio, nem precisa... O que é preciso é ser conciso e circuncidar os desenganos.
Mas para estes não há planos imediatos. Então... Então é isso. Seu compromisso é com o tédio de um remédio que mantém a doença. Plenamente cumprido.

Rogério Camargo e André Anlub
(5/6/15)

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