Beltrano dos Santos



Beltrano dos Santos
(André Anlub - 18/5/14)

I
Ao final da tarde
As flores enfim se mostram
(mais dela) submissas, 
Num colorido real e pétalas
Como olhos famintos de belo.

Ela, dama, atravessa os jardins
Os passos tímidos e sutis,
Abrindo os lábios
E deixando brotar as próprias cobiças.

Um artista do amor sorri,
Aponta seus dedos magros, 
(outrora gordos e inebriados de nanquim):
- Ai, ai, ai, é o fim, ela não me notou...

Choram eu, ele, você e os jardins.
E o chá, um sopro para esfriar;
Vem aqui – foi lá.

A fumaça do tabaco profana a luz
Que atravessa a janela
Adentrando o quarto,
Trazendo a beleza que há
Aos olhos abertos
No limpar das remelas,
No sonhar – realizar e fazer jus.

II
Beltrano dos Santos é uma figura,
Já foi profeta,
Mas não se mostrou...
Só ele sabia;
Nas alquimias que os anos trouxeram
A derradeira ainda estaria porvir;

Mas ele não tem pressa,
O amor não tem pressa,
E o que só interessa
É o acreditar sem fim.

III
Pouco riso é muito siso,
Muito sexo é pouco nexo.

Sempre visa onde pisa
E nunca deixa o azar de eixo. 

Fez o louco de poesia,
Desfez o sóbrio na boemia;

E na mais-valia das prosas
E intentos,
Situou-se na graça
Da rosa dos ventos.

IV
Já me afoguei em versos (3/8/11)

Sempre sorrio com uma boa música,
Um bom poema;
Ou com o sol (mau ou bom)
Nascendo ao longe...
Num céu azul quase turquesa,
No alaranjado ao vermelhidão
Que borra a folha
E desfaz a resma.

Penso em expectativas de renovação;
Posso agora me dar ao luxo
De em nada pensar.

Já me afoguei em versos,
Tirando os pés do chão
Vou redesenhando o que já é novo.

Indo em busca de ocupar anseios
Novas escritas (esquinas)
Novos meios (receios)
Novas criações (pirações)

Confesso que tenho medo das anuências,
Quão o simbolismo de estar vivo:
- Um objetivo,
- Uma obrigação...
Pois não sou assim, nem assado!
Sou deixado como semente ao vento.
(vou vivendo)

Já me afoguei em versos,
Versos duros - que incineram,

Fui fundo...
Ao ponto onde não havia mais luz.

Levei minha fé (memórias)
Levei minhas perdas (histórias)
Levei quem sou e quem fui (caráter)

Quando se volta se inicia,
Existe a certeza da descoberta
- Existe a escrita de companheira
Pois alegria não é viável
Antes de estar disposto a reparti-la.

V
Meu Sangue (4/1/13)

Voo entre a terra e o céu,
O sonho que crio na escrita.
Lua que derrama no papel,
Sol que desbanca na tinta.

Vivo em copiosa adesão:
Fome e vontade de comer.
Tudo na mão e contramão,
Auge do exagerado querer.

Noto o sangue correr ligeiro
Tragando minhas entranhas,
Travestido em mil façanhas.

Noto o vermelho em cores,
Transformando dor em amores;
Poesias são alimento e anseio.

A realidade concorre
Com minhas vertentes,
E elas, céleres e insanas,
Sempre saem na frente.

“Rabiscador” do mundo,
Homem que voa.

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