Dueto da tarde (CC)



Dueto da tarde (CC)

Esperar que o dia seja o que o dia não é dói e continua doendo.
E dentro de possíveis adendos, o mais fiel e fatal: somente siga vendo.
Tropeçou? Levanta, limpa a poeira, passa um mertiolato nas feridas e segue o baile.
O dia não espera nada dele ou dela ou de ninguém. Aguarda o abrir das janelas e o andar das canelas.
O dia vai adiante consigo mesmo. Todos deveriam ir adiante com o dia. 
Aos cegos o calor e a energia em braile; aos notívagos a bateria que se recarrega ao sono.
O sol não para para lembrar ninguém dessas coisas. Essas coisas não param quando param de lembrar delas.
Sobram sombras de gigantes e pequenos em movimentos ou inércias; sobram sombras adversas e favoráveis em pinturas singulares que só com a luz pode nos brindar.
A luz do dia cumpre sua obrigação. Esperar/desesperar dela mais que isso é não ver a própria obrigação.
Flores e odores, tanta gente e as coisas de tanta gente, marés cheias e vazias, cachoeiras, desertos e nostalgias... Esperar ou não esperar deixam o sol mais quente?

Rogério Camargo e André Anlub
(12/7/15)

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