Dueto da tarde (CXCVIII)



Dueto da tarde (CXCVIII)

Quem veio com a chuva também trouxe um perfume, o perfume da chuva.
Veio o velho vinho seco, com o paladar faceiro, do que um dia foi somente uva.
Por alguns momentos quem veio com a chuva esquece que veio com a chuva.
Olhares lavrados nas jornadas da vida; nas fornadas dos tempos: vindas e idas.
Um olhar para o talvez, outro olhar para o quem sabe e o vapor do que ainda resta exala-se.
A chuva inverte seu foco: sobe à vista e desce invisível. O vinho inverte seu foco: torna-se fruto puro e nasce inebriante.
Uma leve tontura envolve quem veio com a chuva. Mira reflexos nas poças d’água e ri.
O sorriso, o jasmim, o molhado no seco e o vinho seco – terras de um sem fim. Sem fim do hoje e do agora que mira as poças secas e chora.

Rogério Camargo e André Anlub
(8/7/15)

Postagens mais visitadas deste blog

A chuva bem-vinda

Tempo de recomeço

Um Eu qualquer