Se houve coisa que aprendi na vida foi esta: o único responsável pelas minhas reações sou eu mesmo, mais ninguém. Por pior que seja o comportamento de uma pessoa, quem produz a reação a ele sou eu, não ela. Entender isso com a seriedade que a constatação merece leva a duas revoluções. Primeiro que a gente para de exigir que os outros deixem de ser o que são apenas para atender a nossas conveniências. Segundo que, com um pouco de atenção, interesse e coragem, aproveita-se esta inversão de foco em benefício do conhecimento de nós mesmos. Se alguém me incomoda, antes de querer arrancar-lhe a cabeça e achar que isso está muito certo, volto a minhas forças para algo muito mais útil e nobre: entender por que estou me incomodando. Aquela afirmação sartreana tão difundida – o inferno são os outros – é um artifício muito cômodo e, ao mesmo tempo, atrapalhante. Porque se o inferno são os outros, estou justificado: não me sinto bem por causa deles, não sou feliz por causa deles, tudo dá errado por causa deles. Se alguém parasse no meio da rua a gritar para os passantes: “Deixem de ser este inferno, que eu quero viver bem!” todos iríamos achar que ali vai um desequilibrado. Mas não é exatamente isso o que fazemos quando cobramos deste ou daquele que deixe de ser assim ou assado porque isso nos faz mal? É. Podemos dar o nome elegante que quisermos para esta cobrança, não vai mudar nada. Ela não vai deixar de ser jamais o grito de uma interpretação errada do mundo e das coisas do mundo.

Rogério Camargo  

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