Escrevinhador de inteira tigela

Comentários sobre o livro "O sol e o peixe" (Virginia Woolf, com organização e tradução de Tomaz Tadeu) no canal do Livro & Café. Leia a resenha no blog: http://bit.ly/1JxKKCL
Posted by Autêntica Editora on Sexta, 28 de agosto de 2015


De jeito, deleite
bom bocado das línguas - dos beijos
lençóis de seda;
e de penas de ganso,
os travesseiros...
Doce delícia é nossa doce vida:
a cobiça reflete na minha íris;
é a malícia da sua infalível conquista.

Escrevinhador de inteira tigela
(André Anlub - 18/04/13)

Não me observo mais em ingênuos instantes
só quando as toalhas molhadas estão em cima da cama.
Onde está o meu sonho de morar numa praia distante?
- perdeu-se ao preocupar-me com uns pedaços de panos.

Quero parar de procurar meus escritos perdidos
e  meus livros rasurados que foram jogados à toa.
Deixei a paleta sem tinta e o meu colorir sem aquarela.
Deixei vazia a panela, não fui pescar na lagoa.

Disfarço e não vejo meus textos sem nexo
nem os sonetos sem rima de um sentimentalismo perplexo.
O meu ser já perdeu a transparência intacta
sendo um homem de lata, sem coração nem reflexo.

Enfim, quiçá, eu seja insano escrevinhador,
que às vezes conduz a dor, deixando o amor conservado.
Mas naquilo com esmero, um deslumbrado sincero

que tem quentura e frieza no escrever que me presto.

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