Mais profundo no nosso universo



Pássaros que vem e que passam também são pássaros que ficam             
(André Anlub - 14/7/13)

Indo bem mais profundo no nosso universo,
Habita o ponto cego da felicidade.
Vive em uma espécie de vilarejo antigo, 
De casebres de pedras, dias tranquilos de sol dócil,
Ar sempre puro e vida que se vive.

Às vezes cai leve garoa,
Pois há a tal da nostalgia;
Nada combina mais com melancolia do que uma garoa acompanhada de um pouco de vinho e frio.

Para explicar melhor: fica na triangulação da apatia, a razão e o amor;
Alguns poetas sabem exatamente onde fica e alguns filósofos escondem...
Mas existe,
E algo me diz que é por lá, numa casa,
Que terminarei os meus dias.

Tem inúmeros pássaros que passam os dias rondando a região,
Mesmo sabendo que há comida suficiente por lá.

Já me vejo numa velha poltrona de couro,
Alguns tragos e um bom queijo,
Mas me contentaria com castanhas.
Vejo alguns vasos caros, com belas flores...
Mas poderiam ser de argila - comuns.
Ao surgir da lua cheia, a expectativa da inspiração;
Sentaria na pequena varanda,
Na velha cadeira de balanço,
Com meu novo cão companheiro;
Pegaria minhas folhas e lápis,
E debaixo da mesma lua de anos
Escreveria algo realmente interessante,
Depois, num gesto de saudação...
Soltaria ao vento.

Vejo a esperança como o camaleão dos sentimentos.  
Às vezes é em cima do muro que se mostra o pleno equilíbrio ao caminhar.

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