tarde de 3 de agosto de 2015



Fiz agora, saiu feito pão quente; fiz pra toda a gente que de rabo de olho me olha. 
(tarde de 3 de agosto de 2015)

                 Com a mente engarrafada, estilo 23 de maio em São Paulo na hora do rush, escuto a voz bem de perto me induzindo aos trabalhos: esculpir, pintar, escrever... Mas meu tête-à-tête é com o tempo corrido, sair saindo, com o tempo estilo Senna, vem chuva – sol – dia – noite, tudo novamente na mesma hora, em um falso passo, e tudo de velho/novo como um açoite ou um soco do Tyson. Nas pareidolias das sombras, onde vejo você, vejo chover e ninguém, vejo outra face, minha e de outrem; vejo o molhado que foi seco, o vai e vem em um escuro beco que me assusta com o ao vivo que já morreu e renasce. Implicitamente vive há quase quarenta e cinco anos dentro da minha cabeça, agasalhada, de gorro e com frio, minha razão; às vezes minha razão dá as caras, põe o pé na estrada, mas volta logo pois a comida está sempre na mesa e não pode esfriar. Vejo muito mais responsabilidades do que está evidentemente escrito nas testas. Inclusive na minha no espelho. Os ânimos estão animados e os números não são só matemáticos; expurga a pulga atrás da orelha (tenho cisma com essa pulga), vai-se em direção ao espaço ermo e preencha-o com o verdadeiro. Nervoso, roendo o osso; neurótico vestido com vestido exótico. Na televisão desligada chegou de vez o Agosto, sem saber de nada, apenas o que é de gosto; com absoluta certeza tenho quase absoluta certeza que Agosto fará do esperado o oposto, já que dizem as más línguas que se trata do mês do desgosto... Está errado! Olhem os sorrisos nos rostos, olhem o telhado acabado; veja se alguém olha de lado, e se olhar não trate como um encosto, em palpável e/ou imaginário pressuposto. 

André Anlub

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