A Perda da Fé



A Perda da Fé
(André Anlub - 21/1/11)

A visão mais turva, suja,
Deixa que eu mesmo piso na uva.

Sei que irá curar o desalento,
Muito mais fácil deixar cair dos olhos uma chuva.

Cansei de levantar para o céu as mãos,
Engasgo com o medo, ébrio e hipocondria.

Supre a dor com o 'Comprimento de um comprimido'* comprido...
Levanta e não cai de joelhos ao chão.

Dizem que um Deus te ama!
O resto do mundo não.

Todos os elos dessa corrente,
Foram tomados pela ferrugem.

Águas só me molham, aos outros ungem,
Palavras incertas e ditos incoerentes.

Com os nossos cabelos ao vento
Que acabam levando a vida,
Uma partida fez-se momento,
Para um lugar bom será sempre bem-vinda.

Como sabemos dos nossos erros
E como fingimos indiferença.

Como negamos todos os zelos
E como sofremos com nossas crenças.

Dedão nas orelhas,
Mãos espalmadas
E línguas a mostra...

Armado o circo, chamamos os santos.
Com olhos cegos soltem seus prantos...
Eu perdi a fé, quero uma forra.


*Lembrando dos amigos 

da antiga banda Som Tomé

Saramago é fantástico! Ele e o livro “O evangelho segundo Jesus Cristo” foram dois dos 'culpados' por eu ter me descoberto deísta! Na verdade me fizeram meditar meses e meses, desconstruir um contorno que havia em mim e chegar à conclusão da diferença em ter fé e ter religião, pensar por si próprio ou aceitar que alguém auferiu procuração de deus para falar em nome dele.

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