Na poesia nascente



Desde que nascemos somos moldados através de influências... Mesmo quando não se é e/ou se segue o sistema, e há o flerte com o lugar não comum, se pega de algum modo uma abertura pré-estabelecida. A novidade é exclusiva apenas para nós – aos nossos olhos – pois ela já existe ou é apenas uma releitura de algo já nascido e até mesmo encanecido. Iniciar uma nova luta é tão-somente uma nova visão de uma peleja tantas vezes travada.

Na poesia nascente
(André Anlub - 15/4/14)

Aquele menino sabido
Dono dele e você,
Destemido e escrevendo
É capaz de inventar.

Tornar-se-á mais um rugido 
- gemido – sussurrar.
Que vai além do planeta,
Pois é tudo no bom de escrever.

Aquela luz lá no alto,
Voracidade do pensamento,
Fez de instrumento a aurora
Que irá ao fim da noite nascer.

É assim a pegada que marca cada momento,
Dedo que sangra no espinho
E sozinho cicatriza no tempo.

Esse moleque:
Fez no sonho um gigante
E sonhou em ser amado;
Amou como um amante
Que honra seu tempo acordado.

E o ponteiro vai descendo,
Vai subindo em pé e deitado...


Cabelos brancos ao vento,
E só o eco faz som de menino.

E o mistério jamais quebrado
Que quebra o enigma do dia seguinte,
Fala aos ouvidos ouvintes...

Fala aos ouvidos largados:

- virão até mim navegantes, virão prostitutas e beatas trazendo ciências exatas e poemas escritos no escuro.

- todo o absurdo do mundo estará no bolso encurtado, queimando por dentro e por fora um corpo jamais sepultado.

Aquele velho sabido
Que entregou sua ideia ao próximo,
Deixou cicatrizado no ócio
Bela tatuagem veemente.

Sorriu com todos os dentes
Agitando a mão como quem vai.

E lá na luz com seu pai
Se fez forte na poesia nascente.

O tal vento cruel e birrento soprou ao meu ouvido
Como uma fera grunhindo (nada adiantou)...

Só a cera espalhou.

Postagens mais visitadas deste blog

A chuva bem-vinda

Tempo de recomeço

Um Eu qualquer