A vida no Estado Islâmico

 Raqqa: Mulher em fuga depois de ataques do exército sírio reuters

 Um artifício muito usado nos filmes de suspense é o personagem ir atrás de emoções metendo-se impensadamente em circunstâncias perigosas. Ele só está a fim de se divertir, mas acaba mexendo em abelheiros perigosos e para se livrar das abelhas depois passa três quartas partes da história. Este clichê está sendo vivenciado por grande parte dos jovens europeus que se engajam no Estado Islâmico: vão em busca de aventura. Interessante que o maior percentual destes cabeças de vento encontre-se na Bélgica – um país rico, estável, onde as perspectivas de uma vida organizada e de um futuro, por isso mesmo “tedioso” são totais. A incapacidade de ficar quieto, coisa que provoca uma inevitável convivência maior consigo mesmo, é obedecida sem maiores discussões internas, como um impulso a que não se deve negar voz. À semelhança dos heróis destes filmecos muquiranas, quem segue este apelo em dois tempos está metido em uma situação bem diferente da que imaginava. O cinema, porém, é generoso para com tais inconsequentes. Ondas negras como a do EI dificilmente seguem o mesmo roteiro.

Rogério Camargo

 Crianças fugidas de Mosul num campo de refugiados perto de Arbil reuters

 A vida no Estado Islâmico
Kevin Sullivan

"O que é ser mulher ou criança no autoproclamado Estado Islâmico? O que se compra e o que falta no território? Como é aplicada a justiça? Três dezenas de pessoas que vivem ou viveram sob o regime extremista dão as respostas.
Pub

As carrinhas brancas saem por volta da hora do jantar, carregadas de refeições quentes para os combatentes islâmicos solteiros da cidade de Hit, no Oeste do Iraque. Equipas de mulheres estrangeiras, que deixaram a Europa e vários países do mundo árabe para se juntarem ao Estado Islâmico (EI), trabalham em cozinhas comunitárias para preparar o jantar dos guerrilheiros, entregue nas casas que foram confiscadas a pessoas que fugiram ou foram mortas, diz o ex-presidente da câmara da cidade.

O EI tem atraído dezenas de milhares de pessoas de todo o mundo, prometendo o paraíso na pátria muçulmana que está a erguer nos territórios conquistados na Síria e no Iraque. Mas, na realidade, os islamistas criaram uma sociedade desigual, onde a vida quotidiana é radicalmente diferente para ocupantes e ocupados, de acordo com entrevistas conduzidas a mais de 30 pessoas que vivem ainda no EI ou fugiram recentemente.

Os combatentes estrangeiros e as suas famílias têm direito a habitação gratuita, serviços médicos, educação religiosa e até a uma espécie de entrega de refeições ao domicílio, de acordo com os entrevistados. Recebem salários pagos com os impostos e taxas que sobrecarregam milhões de pessoas que eles controlam, num território que agora tem o tamanho do Reino Unido.

Aqueles que vivem nas mãos do EI dizem que têm de enfrentar não só a brutalidade dos islamistas — que decapitam os seus inimigos e transformam em escravas sexuais as mulheres que pertencem às minorias — como também uma escassez extrema de vários produtos básicos.

Muitos têm electricidade durante apenas uma ou duas horas por dia e em algumas casas a água canalizada fica vários dias sem aparecer. Há poucos postos de trabalho, por isso uma grande parte não consegue pagar os preços exorbitantes dos alimentos, que em alguns casos mais do que triplicaram. Os cuidados médicos são deficientes, a maioria das escolas está fechada e as restrições às saídas para o mundo exterior são impostas pela força das armas."

Leia mais: http://www.publico.pt/mundo/noticia/a-vida-no-estado-islamico-1711251
 

Postagens mais visitadas deste blog

A chuva bem-vinda

Um Eu qualquer

Parte XI