Enlace das almas


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Posted by Canal OFF on Terça, 6 de outubro de 2015


Enlace das almas

Deu início aquela conversa; deu o ensejo com a fuça de lua cheia; no bule o café bem fresco, na mesa o bolo, a maça e a ameixa.
Na troca de vocábulos transpõem-se os obstáculos; surge um oráculo inócuo no enleve dos versos leves. O dia rasgando com o sol no arrebate da torra; a noite fica sem jeito e deseja que escuridão se entregue. Nada daquilo é fracasso se o ocaso se vestir de amarelo; largar um breu quase eterno, e com isso também foi o tédio... Há de parar com os remédios e vestir uma sunga e calçar um chinelo. Para todos a areia está fofa, o mar bem calmo e a brisa a contento; o inesperado não é tão enigma, pois temos a insígnia de um nobre guerreiro. O cabelo castanho vai ficando branco; o branco dos olhos, vermelho. O ano já está quase acabando, e depois de um espirro, já é novamente janeiro. Vem uma luz no final do túnel, arrasando a desesperança, criando a salutar aliança de aceitar o escuro, mas ver a clareza. Dizem ser indelicadeza – mas assim a vida tem mais futuro; dizem que estão em cima do muro – mas o muro é puramente adereço. Deu-se o fim da conversa com um sorriso em todas as faces. No bule o café ainda quente, na mesa um vazio e nas almas os enlaces.
Há lençóis em que se repousa, que se sonha, que se voa, que se doa e se pousa... E quaisquer lençóis em que tu estejas comigo, estarei aquecido, envaidecido... Em plenos amor e abrigo. 

André Anlub

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