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Mostrando postagens de Janeiro 11, 2015

Tempo de rir...

Dois rabiscos...

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Despedida XI

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Publicação by Canal Brasil.

Despedida XI
Cobiçando a luz do sol Que passou pela porta E me deu um sorriso. Fui correr atrás, Fui ao encontro do calor. Desci pela rua feito a bola Da pelada de domingo.
E a chuva?  Também amo, clamo e quero; Gosto da água batendo no corpo e no rosto, Gosto do gosto, do cheiro e do aspecto.
Vai deixar lembrança; Vai deixar vontade de voltar; Curto o zelo, Assim, quem sabe eu volto, Em outro tempo (há esperança) No lamento em saudade, No aumento das panças E cair dos cabelos.
Pego novamente minha espada, Sempre fui eclético; Sempre tive sorte. Esqueço minha lança, Deixo-a na estrada, Mas só por empréstimo, Deixo com São Jorge.
André Anlub (11/1/15)


Despedida X

Publicação by Globo News.

Despedida X

A vida é assim: 
De repente a batucada do Olodum;
De repete um “pam” e tchau.

Foi nesse pensamento antigo
Que começou a abraçar excessos.
Nessa sensação de trem expresso
Que já vai chegar, já está chegando.

Usava como sombras a boemia,
Nostalgia e a arruaça.
Ontem ele era um pouco doido,
Hoje continua sendo,
Apenas segue fazendo
Um pouco menos de alvoroço.

Foi cachorro louco,
Daqueles que despontam nas esquinas,
Com alma de menino
E pensamento torto.

Hoje ele é mais ponderado,
Muito mais “na dele”;
Hoje segue na trilha
De trem Maria Fumaça,
Sentindo na alma e na pele
O que deixou no passado.

A vida é assim:
De repente acaba o repente,
Acaba o velho e o novo,
Acaba a sobra e acaba o ouro...
É nesse estouro que se vai um corpo:
(casca de ovo no galinheiro de um Deus)

André Anlub
(11/1/15)
Alguns minicontos:

- Eu tinha uma coisa pra te dizer.
- Eu também tinha.
- O que é?
- O que “era”. Pois eu disse que “tinha”. E você?
- Bem, eu também disse que tinha...


Bazingo queria entrar para a política. É a maior mamata, dizia. Não faz nada, ganha bem e ainda tem uns por-fora que dão uma grana violenta, cara! E como é que você pretende chegar lá, perguntavam os amigos. Bazingo ainda não sabia. Mas o prêmio final era tão bom que, aparentemente, ele estava disposto a qualquer coisa para conquistá-lo. Por via das dúvidas, sua mulher passou todos os bens do casal para o nome dela e dos filhos.


A mãe dela era gorda, o pai também, seus avós eram gordos e, até onde ela sabia, seus bisavós de magros não tinham nada. Zubika, no entanto, era um fiapo de gente, uma sílfide. “O senhor tem certeza?”, disse ela ao endocrinologista depois que ele garantiu que ela era normal.


Colocar as coisas em seus devidos lugares. Era tudo que Reginuvo queria. Tudo que Reginuvo não queria era continuar com …

Dueto da tarde (XXXIII)

Publicação by Portal AECweb.

Dueto da tarde (XXXIII)

Cavei no fundo da alma para tentar achar aquela paz esquecida. 
Cavei com as unhas cansadas já de procurar na carne exausta a alegria que um dia encantou-se com a melancolia.
Encontrei sonhos antigos, sons que eu gostava, leituras empoeiradas, luas vazias e sóis apagados,
Recostei-me na montanha do desconsolo, olhando longamente o que desfilava lentamente
E ponderei: já foi feito o bastante, o possível... cumpri minha missão ou haverá novas batalhas?
As unhas quebradas me responderam que aquela muito era já uma nova batalha. Ergui então o torso curvado, não me senti ultrajado, arregacei as mangas, chupei umas mangas e encarei meu fardo.
Dele me veio a certeza de que não preciso ter certeza. Dele me veio a força de que só preciso ter força.
Então levantei do banquinho do pessimismo, sugeri que a forca da depressão fosse pular corda, pisquei um olho para o abismo e fui ao próximo capítulo – onde encontrei a mim mesmo, sempre a mim mesmo, nada …