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Mostrando postagens de Janeiro 12, 2015

Os vivos corais do mar morto

Publicação by Drum Talk TV.

Os vivos corais do mar morto (André Anlub - 11/6/13)
A ideia vai e vem à paisana, é assim: Olá, escreva-me, como vai? Ouço certo do outro lado da muralha E a imaginação não se esvai Como um surto atípico... Não me corta feito navalha, Nem me beija como o fim. Reaparecer requer confiança. É aceitar o dom que foi dado de herança, Sem nem mesmo querer receber. Tudo fica mais intenso e brilhante Quando as barreiras caem. Pode-se ver, ouvir e sentir - o além. E quando vem a implacável esperança, Ponho-me a escrever cada vez mais. O azar eu nocauteio com certeiro soco no queixo; A solução está no fundo do mar... Prendo o fôlego e mergulho até lá, Mesmo em plena maré cheia. Pude ver belos corais que fazem desenhos Que completam os traços nos corpos dos peixes. Vi o majestoso feixe da luz do sol incidente Que faz contentes as arraias que se entregam. Enfim, vou repetindo as dicas Que venho recebendo na vida. Adaptar-se é fácil, complexa é a nostalgia! principalmente das farras em família, Das o…

Um ser imbatível

Publicação by Pathé Live.

Um ser imbatível
(André Anlub - 14/10/13)

Avise-me quando tiver um tempo,
Caso eu não esteja, por favor, deixe recado.
Passo por maus bocados sem a menor notícia sua,
Vivo um grande tormento olhando os velhos retratos.
Para o meu conforto tenho seus poemas tatuados,
Às vezes os leio a esmo para desmanchar possível mácula; vejo uma fábula que outrora romance barato, erguer-se das cinzas, renascer do cálido aborto.
Agora vago tão-só, sem rumo, em nuas noites sem lua, em garrafas de gargalo torto - vivo com a vida nas mãos, cambaleando na esperança do zero multiplicado por doze e na dose dos passos brandos, gasto meu quinhão.
É, sou impostor vivente, fantasioso e sensível,
Mas é vantajoso passar o inverno nessa novela.
Pinto com aquarela a imagem de um deus no céu,
Escrevo no papel minha quimera de um ser imbatível.

Poema futuro

Publicação by FEEDBAC.

Poema futuro (André Anlub - 4/9/13)
Um homem joga o seu jogo mais brilhante, Se for conciso é um tom preciso e crucial. Sendo o mais temido caçador (poeta e amante) Que com unha faz tatuagem da alcunha de imortal.
Até o momento ninguém aqui teve tanta sorte, O clima sempre bom e o vento às vezes forte.
O solo produtivo e ao longe os tambores Rufam os amores de um hoje acontecido: - e vão saudades e ficam sonhos - e vão estranhos num tempo amigo.
A lua saiu com frio e tão pálida, Pensamos que estivesse acamada. Veio a nós pelo mar e tremendo Até chegar à praia...
E assim deu-se o beijo.
A lua olha por todos os lados, Chora por quaisquer dores, Explica a atual loucura de não mais existir o pecado E nascer cada vez mais pecadores.

Dueto da tarde (XXXIV)

Dueto da tarde (XXXIV)

A graça iluminou-se com uma lembrança pueril. Era um dia comum de setembro e, se bem me lembro, também me iluminei por aqui.
Nada diferente havia no ar e, no entanto, enquanto mesmo indigente me fiz abrolhar, na poesia que pari.
Havia uma cor na cor que deixava o desbotado da mesmice pensando em vermelhos de calor; 
Era algo nada vago, assim como a brisa que há na brisa quando a brisa se acalma e na alma se apressa, para acariciar a brasa que de birra teima em queimar.
Tudo isso a graça sem assédio passava na lembrança e, com ou sem intermédio se deixava levar, sempre com finura e harmonia na memória vinha.
O que era simples e era completo, o que era singelo e era absoluto, o que não tinha importância e definia uma vida de “poète maudit”, de poeta matuto, que pega a caneta e lança no oportuno.
Oportunamente era a graça. Oportunidade sempre há – de graça. E a cor do lápis vive a prática: a arte se inspira em nada e em todos: cores, dores, amores, graças e desgraças... t…

Despedida XII

Publicação by Libertatea.ro.

Despedida XII
(corpo e café – torrados e moídos)

Hoje me sinto dentro da melodia
“Rio quarenta graus”;
Mas quarenta... só se for na sombra.

A aura parece que quer deixar a carcaça
E se perder na atmosfera.
O sossego berra, a quietude é onipresente...
Mas “péra”...
Ouço o tilintar dos dentes,
Como se fossem lâminas de aço.
Saboreio a pera,
E o sumo resseca meus lábios.

Meu lema para sair da lama
É sorvete de lima-limão
E um chá verde gelado.
Estão bebendo cafés quando esfriam,
Vi gente saindo pela rua, pelado.

Agora a aura quer ficar no corpo,
Um bom banho gelado.
Ao alto as audaciosas asas de Ícaro,
Há tempos derretidas...
Agora aparecem em nuvens, desenhadas.

Vejo o futuro, não vejo sempre muito boa coisa;
Há decepção, sempre há;
Há ressurreição, tem que haver.
Há de aparecer alguma ligeira solução,
Nas poesias sinceras despontadas.

Sai da melodia, penetrei no sigilo
Já são bem mais de meio dia;
Entrei entre as almofadas
E sorri para a nostalgia.

André Anlub
(11/1/15)