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Mostrando postagens de Janeiro 29, 2015

Super Simples

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Foto: Anlub Super Simples
(André Anlub - 16/11/12)

Quero só proferir palavras agradáveis,
Não a expondo ao risco de ouvir injustiças
Por decorrência de eu não ter o que dizer.
Quero realizar suas íntimas fantasias,
Ter e ser suas boas e más manias,
Só pelo fato de assim poder ser sua área de lazer.
Quero que possa contar sempre comigo,
Ser sua labuta e seu domingo,
Ou até ficar bem longe... É só querer.
Quero carregá-la suavemente no colo,
Poupando-a de gastar prévia energia,
Em direção ao seu quarto de prazer...
E, no entanto, mesmo que eu não seja suficiente,
Que falte sal ou que falte açúcar,
Que falte o ínfimo arrepio na nuca,
Sempre a deixarei livre para fazer o que bem entender.


Publicação by Robin Eley - Artist.

Dueto da tarde (XLIX)

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Pastel no mercado municipal (SP)

Dueto da tarde (XLIX) 

O segredo foi revelado, o destino estava traçado, de nada adiantariam as imagens de barro nem as inúmeras velas acessas em nome do sem nome ou até do Nominado. Havia muita coisa por trás do que há por trás e isso não faz nascer o medo; pois isso, aquilo ou até mesmo o inexistente não se desfaz num estalar de dedos.
O segredo foi relevado e com ele a fotografia da consciência, num preto e branco escarpado, como um silêncio do submundo, e o peso evidenciado na visão de um tridente no fundo.
“Não tenho nada com isso”, disse o compromisso com o sumiço. Enguiço logo resolvido pela presença, nada ligeira, da paixão passageira, que andava feito bicho preguiça.
Por lento que fosse, por recalcitrante que fosse, com o tridente ao fundo que fosse, o segredo desanuviou-se. 
Agora sim, com o estalar de dedos, os olhos se abriram, as dores sumiram e surgiram os sorridentes; o verdadeiro valor passou a ter valor e o calor fundiu todos os ouros, prat…

Balé dos estorninhos

Publicação by BBC Brasil.

Balé dos estorninhos (André Anlub - 14/10/13)
Vá falar aos quatro cantos Desse enorme mundo vadio, Fale logo, vá!
Fale aos ouvidos trancafiados, Cimentados e mal acostumados. Grite com todo o pulmão, Todas as forças, Até se esvair o ar.
E aquela velha inocência descabida?  Deixe-a ir: Já estava sufocada com sua maturidade, Com seu desenvolvimento e sucesso, Com o balé dos estorninhos.
Os passos largos, de gigantes dinossauros, são seus; As impurezas das palavras Impensáveis nunca existiram; O seu barco naufragado é passado, Ou pode até ter sido um sonho; Ria, pois com o mar é casada E vive à vontade com os golfinhos.
E agora rebobinou sua idade ao azul bem vasto, Fixado no fundo da sua íris. Poderá observar os loucos abutres Que voam por cima de um extenso deserto Deixando a sombra de rastro, Com a sede e a fome, Que os escoltam de perto.

A você

Publicação by Revista Galileu.

E o arrogante prepotente morreu e não ficará sabendo que a vida continuou logo após seu enterro. 
A Você (André Anlub - 4/5/08)
A você dedico meu tempo, Termino meu verso, Estampo meu cansaço no corpo e na alma, Desperdiço meu sangue que já é pouco; Choro muitas vezes por um sorriso, Outras por nada; Abaixo a cabeça, Me calo, Me inclino, Reverencio, Aceito.