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Mostrando postagens de Janeiro 31, 2015

Dueto da tarde (LI)

Publicação by Drum Talk TV.

Dueto da tarde (LI) 
Trinta anos, sim, trinta anos se passaram, e tempestades, friagens e sóis quentes, e a lembrança persiste agarrada como um mexilhão no casco de um navio. Singro meu mar com ela ali e ali ela é paralela ao que para ela reservei: uma saudade especial, sem pretensão de renascimento ou rebobinar a fita e viver novamente. Trinta anos todo dia, porque não passa um dia sem que a melodia desta canção me embale; às vezes nem preciso despertar para ouvi-la, já estava no sonho, vindo do subconsciente desde o deitar na cama. Quem reclama? Quem ainda não entendeu que é assim mesmo, que reclamar a esmo não leva a nada, que na lembrança já é traçada e marcada essa jornada rumo ao tempo que se foi. Trinta anos toda hora, porque hoje não demora a ser como foi outrora, se não saio do lugar onde me coloco; andar à frente deixando a fumaça para trás, como Maria fumaça que anda na raça fora de qualquer trilho. Tudo é agora mesmo há trinta anos. Tudo é agora mesmo …
ALGUNS MINICONTOS

O longo adeus tem histórias pra contar que a breve despedida não tem paciência de ouvir.

- Tudo isso pra mim? – perguntou Zubiléu diante da mesa vazia. - Sim. Pode se servir à vontade. - Puxa, que generosidade! E Zubiléu empanturrou-se de nada e coisa nenhuma com grande satisfação.

- Já está na hora? - Pelo meu relógio já passou da hora. - Relógio idiota esse teu...

No distante ano de Logo Ali, Tumívio Macazzio encontrou uma cabeça. Seus instintos de estudioso vibraram. Tomou-a na mão direita, braço esticado, e mirando com profundos olhos de interesse, questionou: És ou não és? Não, não é bem isso. Tentou de novo: Foste ou não foste? Ainda não satisfez. Outra tentativa: Serás ou não serás? Não acontecendo nada, Tumívio Macazzio, que encontrou uma cabeça no distante ano de Logo Ali, deixou pender a sua própria num balcão de bar enquanto meditava intensamente sobre os males da existência.

- Há muita coisa que você não entende, Mariquinha! - E só por isso eu vou ter…

Olhos e mãos

Publicação by MusicOff - La grande comunità online per musicisti.

Olhos e mãos (André Anlub - 4/9/11)
Olhos que fitam o azul celeste, Pensando em um dia desvenda-lo. Olhos que veem vultos por detrás de ideias E sabem da capacidade do poder imaginário. Ousadia das mãos... Plantam e criam, Remetendo os seres ao mais adiante mundo: Ser que fica desnudo; Ser que fica vestido; Todo e qualquer atributo. Olhos que mergulham em longínquas profundezas, Tirando o corpo físico do lugar comum. Olhos que trafegam no vão e vêm de letras, Na mão e contramão de amores e lendas. Mãos de um ser... Rápidas, elas desvendam segredos, Revelam medos da mais delicada forma. Mãos que transmitem O que dos olhos já foram vistos...  Ou até mesmo o que gostariam de ver.