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Mostrando postagens de Fevereiro 4, 2015

Balé dos estorninhos

Publicação by ‎Haaretz הארץ‎.

Balé dos estorninhos
(André Anlub - 14/10/13)

Vá falar aos quatro cantos desse enorme mundo vadio,
Fale logo, vá!
Fale aos ouvidos trancafiados, cimentados e mal acostumados.
Grite com todo o pulmão, todas as forças,
Até se esvair o ar.

E aquela velha inocência descabida? 
Deixe-a ir:
Já estava sufocada com sua maturidade,
Com seu desenvolvimento e sucesso,
Com o balé dos estorninhos.

Os passos largos, de gigantes dinossauros, são seus;
As impurezas das palavras impensáveis nunca existiram;
O seu barco naufragado é passado, ou pode até ter sido um sonho;
Ria, pois com o mar é casada e vive à vontade com os golfinhos.

E agora rebobinou sua idade ao azul bem vasto,
Fixado no fundo da sua íris.
Poderá observar os loucos abutres
Que voam por cima de um extenso deserto
Deixando a sombra de rastro,
Com a sede e a fome,
Que os escoltam de perto.

A sedução existe em várias formas...
A diplomática será sempre a mais fascinante.

De ínfima palavra é feita o amor...
Não tem vírgulas, pontos, n…

Dueto da tarde (LV)

Publicação by haberinbizden.com.

Dueto da tarde (LV)

É um homem fiel com sua alegria, por esse motivo não faz acordo com dias ruins, nem vez ou outra.
Não abre concessões para não gostar das concessões abertas. Não faz trato com o Demo para não se tornar sócio dele.
É gente comum que comumente mente para se enquadrar em quadros que tapam os estragos nas paredes.
É um homem que passa reto pelas curvas, que se aborrece com o aborrecimento, que não chove com a chuva nem com o guarda-chuva.
Segue alegre sem derrapar nos de repentes; todavia segue toda vida a via que o leva levemente na corrente de bem – de zen – de gente.
É humano, afinal. Não podia fazer nada que os humanos não fazem, afinal. Mesmo que a maior parte deles estranhe o que um deles faça diferente, no final.
Sente-se bem, e prioriza isso! Senta-se à beira do lago com sua vara de pescar, seu sanduiche de atum, sua consciência leve como a brisa que o beija... se deixa.
Não prega a igualdade nem defende seu direito: vive seu direito e d…

Inteligência brilhante

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Inteligência brilhante, por Rubem Alves

Tive um primo de inteligência fulgurante. Éramos da mesma idade. Aos oito anos brincávamos de soldadinhos de chumbo. Mas seu prazer era um dicionário comparativo de português, francês, inglês e alemão que estava fazendo.

Eu olhava para aquele livro enorme de capa preta, daqueles que os contadores usavam para registrar a contabilidade de firmas, cada página dividida em quatro colunas, uma para cada língua.

Na escola, quando tirava 98 numa prova ele batia com a palma da mão na testa em desespero e dizia: “Fracassei”. Dele jamais se poderia dizer que foi mau aluno. Seu brilho prometia uma vida de vitórias. Adulto, pela manhã, ao levantar, o seu primeiro gesto era ligar a fita da língua que estava aprendendo.

Veio a conhecer doze línguas. Não sei direito para quê. Que utilidade poderia lhe ter a língua húngara? Os benefícios de falar húngaro eram desproporcionais ao esforço de aprendizagem. Como psicanalista, eu pergunto: Será que ele estava em busca da…

Falando com nuvens

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Falando com nuvens
(André Anlub - 16/1/14)

Noite passada sonhei com poesia,
Aquele sonho arranjado de calores misteriosos.
Ao som de uma orquestra as janelas se abriam
E em mil cantorias - pássaros curiosos.

Longe, no alto, algo reluzia,
Mas não sei o que era, tampouco queria.

Sempre enfoquei seu belo rosto em tudo
- é de um absurdo - é meu mundo de gosto.

No sonho alagado os caminhos imersos,
Feito um delírio aos montes, na mente famélica.

Estrelas pratas formavam de tão doces quimeras
E transbordam à vera, e transcorrem os versos.

Fiz de mim um homem pássaro
(o passo)
No meu eixo um homem peixe
(muito avexo)
No meu mundo, homem comum
(o oriundo).

Longe, as nuvens comunicam:
Surgirá a estigma do amor sem fim.
Tudo se torna arquipélago numa única ilha,
Uma desmesurada esperança que contente habita,
Fazendo-se amiga e parte de mim.

O mar me ganha assim: de jeito, de repente, de encanto; 
e mesmo eu envelhecendo 
e aos poucos ficando mais longe, 
o amor e o respeito só aumentam...
É o mesmo que acontece em relação …

Podia ter sido mais sol

Publicação by Wanderson Chan.

Sou como rolimã:
quanto mais pressão em cima 
quanto mais pressão embaixo...
vou “desenrolando” melhor.

Podia ter sido mais sol

O calor que batia na alma,
Sem refresco, mais e mais quente ficava.
Faltava isso, talvez aquilo, para montar uma elipse,
Envolta do desmesurado eclipse,
De tal sol.

Aquela fragrância de nova vida,
Da porta aberta do viveiro,
Batia nos orifícios do nariz; como coisa boa...
Fubá fresquinho, coco queimado, doce broa...
Acompanhada por um manacá-de-cheiro.

O orvalho brinca de tobogã,
Em uma enorme folha de taioba.
Sei, sei que ainda necessitava de mais música, 
Música boa, aquela apreciada pelos pássaros,
Que dançam valsa com o vento.

Vendo com alguns olhos críticos, 
Dizem que parecia perfeito, e era,
Mas podia melhorar.

Podia ter sido mais sol,
Pois geralmente sonhavam com a noite.
Podia também ter sido mais amor,
Com coloridos emblemáticos,
Dos mais profundos,
Nobres,
Raros.

Dos que alto berram, até as nuvens,
Vale a luta, vale a guerra,
Pintam aquarelas,
Nos anse…