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Mostrando postagens de Fevereiro 9, 2015

Baú de conjecturas

Publicação by Canal Brasil.

Baú de conjecturas

Eis a questão: abrir aquele baú de memórias, 
Algumas boas, outras nem tanto, outras nem lembro:
(dizem que há lembranças do que não aconteceu).

Deixar a mente recordar – dar vazão na falta de razão,
Embarcar no trem das insanidades e paixões; 
Aquelas que foram feitas nas noites sem dormir,
Nas falas sem sentido, nos botecos e afins.

Lembrar-se de amizades esculpidas com pressa e formão cego;
De esculachos em rixas fartas; de escaladas em rochas altas...
Lembrar-se de ter esperado a nave com os Aliens me buscar.

Agora nós dois:

Passamos por dificuldades e terrorismos,
Andamos e nem sempre sorrimos.
Houve o momento de reflexão – a alma sentia dor;
Corpos enfastiaram, ideias se soltaram e, comumente, se desligavam;
Tudo não estava mais (ou nunca esteve) talvez, assim, pra nós: bem, bom.

Nos controlamos – põe-se freios, iluminações, mesmices,
Vagamos turbinados dentro do turbilhão (talvez seja aquele litro de uísque).
No céu, na época, pequenas estrelas pratea…

Dueto da tarde (LX)

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Dueto da tarde (LX)

A loucura pula o muro do hospício e não deixa nem resquício para contar a história; mas será contada mesmo assim.
A lua registra tudo e não mente. Pelo menos é o que acredita, medita, edita e reedita o aluado.
A loucura vaga pelas ruas, passa pelo meu botequim, veste-se de arlequim e sai comigo rumo à folia.
E é setembro. Não há Carnaval nas avenidas. A loucura quer festa, no entanto, e em cada fresta um canto impõe obediência; e é setembro, mas bem me lembro, ainda prevalece à indecência que nessa hora ainda aquece as nossas almas, pernas, fartas demências.
Não há terreno plano, só há saliência. A loucura salienta-se.  E aguenta-se nas pernas também quentes com a lua companheira conselheira; e a lua abre um sorriso, lá do alto, e ela ilumina, lá ao longe, e influencia.
A ciência da influência faz a loucura mais confiante. Confiante, vai adiante. E com ela vou em frente.
Deixo a loucura aportar no cais do porto, já havíamos visto de tudo: um assalto, um beijo, o rato roub…

Dos desafios

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Dos desafios
(André Anlub - 2/8/12)

Sentinelas do mais profundo amor, vejo pela janela as folhas e pétalas que caem pintando o chão... 
formam os tapetes dos amantes, síntese da emoção de todos os seres vivos.
Já tentei deixar de ser romântico, ver o mundo em branco e preto, lavar bem lavado meu despeito e organizar minha semântica.
Pego a massa e faço o pão, uso a farinha que vem do trigo;
Existe aqui dentro um insano coração que se materializou tão somente por você.
Vai dizer que me embriago por não tê-la, sons antigos na vitrola e deito-me em posição fetal... estou fraco para o viral e depressões e forte para construir minhas teias.
Em absoluto desafio... quero ser chefe dos meus desatinos
levantando e regressando à caminhada, vestindo minhas melhores roupas e colocando meus anéis...
(fazendo o que sei fazer de melhor).
ALGUNS MINICONTOS
Dalmério chegou atrasado, rosnou uma explicação qualquer e foi para o seu lugar como se nada tivesse acontecido. Bolívio podia ter deixado assim. Mas Bolívio era implicante e sabia que Dalmério tinha pavio curto. Quando fez a primeira ironia, Dalmério fingiu não ter escutado. Quando fez a segunda, viu o pescoço de Dalmério ficar vermelho e seu rosto ficar roxo. Devia ter parado por aí. Mas Bolívio era implicante. E Dalmério tinha o pavio curto.

- Me viaja? - Mas eu não tenho teu mapa! - Não importa. Embarca em mim que eu te levo por mim. - Temeridade. E se eu não souber pedir informações na tua língua?

O fim da estrada queria ser o início da estrada, não o fim. Mas nunca lhe ocorria dizer “comece tudo outra vez” quando as pessoas chegavam a ele. Talvez não quisesse interromper a festa delas.

Ezépia não ouve ninguém. Mas Ezépia faz perguntas. E as pessoas tentam responder. Como Ezépia não ouve ninguém, as respostas que lhe dão caem no vácuo. E ela não se esclarece…

Resgate

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Resgate (do livro “Poeteideser”)
(André Anlub - 7/3/10)

Resgato minha vida a cada letra que escrevo:
- bela nostalgia, linda poesia,
Um coração e seu adereço.

Mergulho em sonhos,
Romantismo, cárcere;
Abstenho-me,
Choro e obedeço.

Na ponta da língua estão os amores,
No resto da boca, as paixões.
Conjugo verbos de pura magia,
Agarro as orgias e largo orações.

Transmito uma calma por onde transito,
Nas palavras que escrevo confio no meu taco;
Admito no entanto que gosto desse conflito;
Grito não a melancolia e seja bem-vindo ao Baco.

No final das horas escrevi várias linhas,
Levantei castelos de imaginação.
Concedi ao inferno a minha presença
E ao firmamento entreguei minhas mãos.

Ode ao Louco varrendo

Publicação by Ivan Valente.

Ode ao Louco varrendo
(André Anlub - 28/6/12)

- Sente na carne o estrago que a trincheira do corpo 
Deixa passar;
Flecha que não era bem quista 
- disritmia foi-se a bailar
Casco inquebrável,
Por vezes tentado a traições.

Entre o espírito luzidio e a aura,
Há um fulgor de Foucault mais forte;
Persevera a bondade do antes e do agora
Ser altruísta de cumplicidade
Afortunada e contínua:

Mostra com clareza, destreza e simploriamente os “nortes”.

A altivez tem tratamento
(seja por vezes até o suicídio)
Segurando forte em uma mão a vida moribunda
E na outra mão a morte. 
(acalento que soa sem perigo)

Suspenso pelo pescoço,
Com as canelas ao vento
No abismo vê-se de culpa isento 
(dor e remorso)

Dimanem sacrifícios?
- Não, chega de ignorância!

É um louco varrendo...