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Mostrando postagens de Fevereiro 13, 2015

Dos bardos*

Publicação by Frank Medrano.

Dos bardos*
(André Anlub - 11/2/12)

É pensante, mas sóbrio poeta insurgente,
Daqueles que anseiam tirar poesia de tudo;
Menos do que o toca no absoluto profundo,
Pois nele o mesmo é extremamente faltante.

Precisos são seus pontos, vírgulas e aspas,
Às vezes palavras ásperas que consternam o humilde.
Notória sincronia com o público que aclama;
Forca em praça pública com linchamento e chamas.

O bardo é liberdade, Ícaro que deu certo,
Sem normalidade, sem torto e sem reto;
Equidistante do mundo mora no cerne da alma
E com doação e calma, conquista os sinceros.

Mas há poeta que grita abraçado ao berrante;
Só vê perfeição nos seus soberbos espelhos,
Pois narciso é conciso e sem siso é errante,
Cai por terra, dúbio, e vê-se de joelhos.

* “Menção honrosa no 2° Concurso Literário Pague Menos, a nível nacional, ficando entre os 100 primeiros e assim participando do livro “Brava Gente Brasileira”".

Dueto da tarde (LXIV)

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Dueto da tarde (LXIV)

Com seus olhos precisos e nada discretos fotografou as belas pernas que passavam na calçada.
O álbum que tinha cabeça inquietou-se com a chegada de mais um exemplar.
Fazia cálculos milimétricos, dísticos, anatomia disso, daquilo, era de viver, era de matar – olho clínico e olho indisciplinar.
A folha em branco da sua imaginação logo se coloriu de formas nervosas, via-se novamente a luz na sua grande eterna cabulosa casulosa caverna.
Alguns estertores se pacificaram, algumas placidezes estertoraram, houve uma alucinação sóbria seguida de uma prece ébria.
Se as belas pernas desconfiassem, desconfiariam muito: há olhos de demais para o que elas menos querem; há olhos de menos para o que elas mais desejam.
E assim deixam o ensejo: querem um afago, querem uma caminhada na praia, querem uma meia-calça, querem duas calças Levis, querem que as levem para qualquer lugar.
Mas os olhos que fotografam nada lhes dão e tudo lhes tiram, na sua fantasia de possuir, de prender eternament…
Publicação by Haddad Tranquilão.

Algumas histórias (I - III)
(André Anlub - 12/02/12)

Cheiro de madeira queimada,
Na ponta dos espetos - salsicha e queijo
Sicrano tocava um blues na viola
E eu tirava um som da minha velha gaita.

Fulana cantava melodiosamente no ritmo,
Enquanto Beltrano arrepiava nas latas de Nescau.
Os animais, com o barulho, já haviam corrido,
Era uma calma e bela noite logo após o Natal.

O show já estava frenético e sem rumo,
Vaga-lumes embriagados rodeavam o local.
Em uma nuvem se escondia a lua minguante
E não havia qualquer luz artificial.

Na sombra da fogueira imagens curiosas
Dançavam com a música nas árvores e arbustos.
Deu-se uma imagem sombria de um corvo,
Logo se transformou em uma flor formosa.

São momentos inesquecíveis na mente
Que nem mesmo o garrafão de vinho conseguiu apagar,
Transformadas anos depois em alguns versos e prosas
E essa história ocorreu em Visconde de Mauá.

Depois retorno para falar das cachoeiras...
Ah, as cachoeiras...

Parte II
(2/3/12)

Estava cá com meus botões…

Para pensar e repensar

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Texto de Gabriela Moura:

"Eu passei pela experiência de engravidar duas vezes. A primeira não foi planejada, a segunda, sim. Ambas foram muitíssimo desejadas e apoiadas, parceiro, familiar, financeiro, todas as nossas questões nos satisfaziam, estávamos (e estamos, afinal, estou gestando ainda) muitíssimo felizes, empenhados e preparados física e, sobretudo, emocionalmente.
As minhas gestações são as minhas gestações, jamais poderia embasar decisões de mulheres, essas que suas histórias não conheço, essas que seus desejos não conheço, essas que suas dores e delícias não conheço, por minhas experiências felizes na gestação e maternidade.
Estou ao lado dos direitos reprodutivos das mulheres. Eu sou TOTALMENTE favorável à descriminalização do aborto, ao respeito às mulheres e suas escolhas e seus corpos. Sou inteiramente solidária às minhas irmãs que são massacradas, estupradas, culpabilizadas por suas gestações, culpabilizadas pela interrupção destas gestações, caso tenham esses filho…