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Mostrando postagens de Fevereiro 24, 2015

Desabafo de um amor desabrochado

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Desabafo de um amor desabrochado
(André Anlub - 14/4/10)

É inacreditável como sou feliz ao seu lado,
Mix de emoções boas a todo o momento;
Sem você eu preferia viver isolado
Em uma ilha só com coqueiros.

Sentimento puro e extremo,
Amor anos luz de verdadeiro;
A verdade mais alta pronunciada,
Cura para todo o câncer do planeta.

É bálsamo do bem derramado
Afogando todas as mazelas,
Meus pratos preferidos nas panelas,
Cheiro do perfume do bem amado.

A pólvora exposta à chama da paixão;
Implosão do calor da excitação extrema;
Na ponta da língua o sim e o não
E o coração inverso de pequeno.

É inacreditável como chego a chorar,
De saudade, amor ou em um pesadelo:
Sonhar em contigo não acordar,
Não poder tocar em seu cabelo. 

Faltam-me palavras - sobram-me desejos
Almejo mais e sempre tudo mais.
Minha vida é sua, pode me beijar,
Nenhuma alma de morte poderá nos levar.

Dueto da tarde (LXXV)

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Dueto da tarde (LXXV)

As ondas do meu mar oscilam como cabelos ao vento, como os conceitos em temperos que saciam o apetite.
Navego como quem se entregou e não quer saber de seu destino, como navegador menino, sem horizonte e ilha, sem ouro e tesouro, sem norte e bússola, sem regra e família.
Talvez me afogue em minha pretensão desabrida, mas talvez também cure a ferida do medo que espreita nos vãos da solidão.
Pouco sei até do que pouco sei. As ondas do meu mar não toleram me ver sabendo, afogam rapidamente qualquer entendimento; sim, sei, às vezes são ondas egoístas mas que hoje amanheceram senhoras esposas, mais calmas – mais mansas, mas também propensas a tubarões e outros predadores.
Oscilam como cabelos ao vento. Não, como cabelos na água. Na água do meu mar inconstante, na maré variante que me lava – me leva – me eleva, com ou sem solidão, ao sonho incessante, delirante e salutar de viajar nesse mar e não chegar jamais às terras dos homens. 

Rogério Camargo e André Anlub
(24/2/15)