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Mostrando postagens de Fevereiro 25, 2015

A cada passo um ar mais puro

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A cada passo um ar mais puro
(André Anlub - 1/6/13)

Ela voltou, trouxe algumas flores silvestres,
Vamos agora, juntos, pela nossa rua do apego.
A calçada é larga e o sol que fulge sempre,
Há cães que não ladram e gatos nos telhados.
De longe, bem ao longe, alguém clama companhia.
Lá, onde habita o delírio, tudo existe...
E ainda insistem até mesmo em chamar de “amores”
As variedades de corações em combustão.
Mesmo com a enorme falta de enzimas e excesso de buzinas,
Reinam os notórios e imortais motores...
Nem mesmo as dores conseguem atenção.
É lá, toda a inquietude e desassossego,
Estão vendo mal de perto como funciona o medo,
E estão cansados, mostram-se exaustos.
Mas nossa estrada é larga, como já foi dito,
Há espaço e apreço para tudo e todos,
As intolerâncias não crescem no infinito,
Quaisquer que sejam e venham à tona.

Dueto da tarde (LXXVI)

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Dueto da tarde (LXXVI)

Rasgou seus conceitos, queimou ambições, fez orações e desfez julgamentos; agora pode ou não ser a opção sensata: 
Continuar seu caminho com a sensação de barra limpa. Não se consegue uma sensação de barra limpa deixando de lado o retoque, a assinatura, a moldura e o último enfoque.
Penetrou lentamente no quarto escuro, que conhecia de olhos fechados, mas receava porque estava escuro. 
Sentiu uma brisa morna e adocicada, cheiro leve de incenso de âmbar; ouviu música com um coro e o choro de uma criança.
Seria ele a criança chorando? Talvez. Um passo e outro mais na direção da falta de direção e talvez encontrasse a criança. Queria encontrar a criança?
Lembrou-se de seus deprimidos problemas, e lembrou-se que deveria tê-los esquecido; mas mesmo assim, mesmo assombrado, seguiu acautelado.
Problemas não se esquecem, lembrou. Problemas se resolvem. Esquecimento não é solução, é adiamento.
Encontrou o menino que o olhou firmemente e parou de chorar e sorriu; ele assustado im…

As gaiolas se abriram

As gaiolas se abriram, voam os pássaros rumo à vida.
Falham as bombas e pombas de branco se pintam.
O mundo esquece seu eixo, gira em toda direção...
Pira sem nenhum desleixo, sem a menor ambição.

Hospício
(André Anlub - 23/7/09)

Salientaram no hospício
Ninguém iria comer
Injeções na testa...
Mais que um sacrifício.

Uma doutrina errada,
Condições terríveis,
Faces amarguradas...
Pessoas mais que sensíveis.

Não tinham valor algum,
Exclusos da sociedade,
Pessoas novas e de idade...
Somavam um mais um.

Indigentes, obscenos
Cenas do dia a dia,
Pretos, brancos, morenos...
Sujeitos à revelia.

Desprezados pela verdadeira família,
Inúteis sem poder reciclar,
Cães expulso da matilha...
Sem ter mais em quem amamentar.

Aos montes iam se definhando,
Em um frenético vai e vem,
Homens mortos andando...

Passos calmos pro além.