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Mostrando postagens de Fevereiro 26, 2015

Dueto da tarde (LXXVII)

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Dueto da tarde (LXXVII)

O escuro abriu a porta para a escuridão e ela dava para o que ele não queria ver,
Sentia-se acuado, queria seu corpo diáfano, queria o silêncio do espaço e somente do som o ínfimo traço – a voz de seu pai.
Vinha de longe, um eco distante da sensação de aconchego e proteção.
Onde estará a mão forte de pedreiro e a alma de guerreiro tentando construir e ajeitar o planeta num brado lúgubre de oposição?
O escuro não sabia responder. Mas abrira uma porta para a escuridão e, tropeçando, foi entrando no que não queria ver.
Sentiu-se no útero, em casa, no conforto; não havia contorno, aborto, suborno nem desgosto; sentiu-se bem-vindo, observado, nutrido e cuidado.
O medo que tinha era o medo de ter medo, então. O medo que tinha da porta fechada era o de abrir a porta.
Agora pode ouvir a voz pueril de seu pai, que foi criança um dia; agora pode sentir o carinho de sua mãe que cedeu espaço no seu corpo para sua estadia.
Lentamente escuridão vai sendo iluminada pelo sentimento de …

O amor endossa, emboça e adoça a vida.

Publicação by Brasil Post.

O  amor endossa, emboça e adoça a vida.

Me apaixonei num sonho
(André Anlub - 10/6/14)

Nenhuma noticia do juiz cruel
E seu dedo funesto e tremulante;
Nem por um instante,
E dou graças aos deuses,
Deu sinal.

E cabe quando, a qual, a quem afinal,
Vestir o corpo com a tez do pecado?
Eu não, e por enquanto sigo no não...
Não sou réu aqui, sou sonho,
Aqui sou o que, o qual, e quem quero.

É sim me apaixonei no sonho
E como ela é, não digo.
É sim, pois aqui nada é pecado,
Nada é mutilação, traição, tampouco mau gosto,
E não existe nada de oposto,
Nem mesmo a contradição.

Esse sonho não é feito para olhos alheios;
Até mesmo a escrita é em linha reta
Sem partida – chegada, sem meta,
Sem nem ao menos “os meios”...
(boa merda).

Mas qual graça teria ser e ter o perfeito em volta
Sem a vida às vezes em reviravoltas,
Sem solda nem fenda,
Sem pouco nem sobra,
Sem erro ou acerto? 
(boa bosta).

Corsário sem rum(o)

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Corsário sem rum(o)
(André Anlub - 3/5/12)

No seu sorriso mais doce
Dá-me o sonhar acordado,
Nau agridoce ancorada
No porto seguro de um réu.

O cerne mais íntimo partilhado
Como alado cavalo ao vento,
Coice pra longe o tormento,
Traz na crina o loiro do mel.

Mil flores a pulsar na razão,
Vil dor e jamais compunção,
Cem cores permeiam na libido,
Sem rumo nem rum no tonel.

Pirata na dádiva do amor,
Com a bússola do autêntico anseio,
Nem proa, nem popa, nem meio,
Voando em direção ao seu céu.