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Mostrando postagens de Fevereiro 27, 2015

Dueto da tarde (LXXVIII)

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Dueto da tarde (LXXVIII)

Vem chegando o outono, com ares de galã, trazendo frutos, florindo caminhos e convidando à caminhada pela manhã. 
Se eu precisasse ter uma estação preferida, seria o outono. Ele e sua cor de vida mais vida, mais colorida. 
Voo alto e torno-me laranja, vermelho, amarelo e muito marrom. Torno-me bom em entornar-me no tom. 
Se eu pudesse beber uma estação até encharcar-me dela bem mais do que o mais encachaçado bêbado, seria o outono. 
Ele é meu dono, meu trono no bônus das estações. O que eu falar é pouco, é parco, é especulação. 
Se eu pudesse comer uma estação até ficar com o estômago dilatado, seria o outono. Ele e o seu sabor de eternidade instantânea. 
Agora voo baixo e torno-me eu mesmo em preto e branco - humano e sonhador. Torno-me na língua o sabor do que saboreio e às estações apenas os olhos no entremeio. 
Se eu pudesse vestir uma estação até nunca mais sentir frio ou calor ou alergias ou asperezas ou qualquer coisa que não fosse a certeza de estar agasalhado…
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Leonard Nimoy, o Spock, se foi! Marcou minha época! (minha singela homenagem) - 


Saiba mais:http://oglobo.globo.com/cultura/morre-ator-leonard-nimoy-eterno-spock-de-jornada-nas-estrelas-15456625

Hospício

Publicação by Channel 4 News.

Hospício (do livro “Poeteideser”)
(André Anlub - 23/7/09)

Salientaram no hospício
Ninguém iria comer
Injeções na testa...
Mais que um sacrifício.

Uma doutrina errada,
Condições terríveis,
Faces amarguradas...
Pessoas mais que sensíveis.

Não tinham valor algum,
Exclusos da sociedade,
Pessoas novas e de idade...
Somavam um mais um.

Indigentes, obscenos
Cenas do dia a dia,
Pretos, brancos, morenos...
Sujeitos à revelia.

Desprezados pela verdadeira família,
Inúteis sem poder reciclar,
Cães expulso da matilha...
Sem ter mais em quem amamentar.

Aos montes iam se definhando,
Em um frenético vai e vem,
Homens mortos andando...
Passos calmos pro além.

Despedida (I – XII)

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(André Anlub – 2014/15)

De tudo que foi vulto, agora é muito o que é céu, e é seu, e é meu, que me cerca e cega – num todo! Caço tumulto, e acho, porém não gosto mas finjo que gosto e me enrosco (chega a ser tosco). Vejo verdade e abraço; vejo regaço, trago no laço; procuro calmaria: amizade de João; desenho de Maria (um dia foi fosco) – num nada! De tudo que foi concreto, continua sendo, continua a sede da procura; achando miragem viu-se correto, beijou o insano, do assanho foi/é primário – aquele dia foi pouco – qualquer dia é pouco; vejo o que vejo, já basta; vejo o que resta do festejo; preparo asas para a travessia, e já que não podia, acabei não sendo (foi até muito) – nu tolo! Dia cheio, dia quente, dia rente, muita gente na frieza em Paris (qu'est-ce que c'est?), fanatismo, “marquetismo”, dedo em riste; bala, vala – boletim, infeliz. É cá e lá; é diz que não diz, é borogodó balangadã, é melhor inquietar o tantan. Aqui de repente à esperança, trem bala do tempo, o sol be…