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Mostrando postagens de Março 3, 2015

Dueto da tarde (LXXXII)

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Dueto da tarde (LXXXII)

Não há problema: saiu à francesa fazendo corretamente o esquema, pegando a viola e pondo no saco.
Sair sem ser notado e não haver problema são sinônimos em algumas línguas.
E falando em línguas: distraído esqueceu-se de esquecer o gosto da língua dela que ainda permanece na sua boca.
Tinha sido bom. Queria que continuasse bom. Talvez até a próxima esquina, quem sabe. 
Mas o caminho até em casa é longo.
Tão logo se esqueça, mesmo que não mereça, outras línguas virão; antes mesmo da vitamina ao chegar em casa, depois de dobrar a próxima esquina, outras línguas virão.
Por enquanto, o prazer de meia hora tem aspecto de eternidade. Mas... O que era mesmo para trazer do mercado?
Seria o leite das crianças? Mas ele não lembra nem mesmo do preservativo! Só lembra de inventar um pretexto evasivo.
A distração no brinquedo ainda vai fazer a brincadeira acabar mal. Mas por enquanto é esse gosto, esse perfume, essa lembrança.
E vão-se as casas de luzes vermelhas, voam as abelhas empa…

Barco

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Ele é barco à deriva,
com pernas já cansadas 
olhos que veem pouco
a voz que é quase nada.
Mas ainda joga o jogo
tem asas para o voo
e aposta sempre alto
num farto salto solto...
Ele pode ser eu
ser você
e ser todos.

André Anlub®
(5/2/14)


Líquido sagrado de Baco

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Líquido sagrado de Baco
(André Anlub - 15/5/13)

Rigoroso esse tempo bom na tela do céu azul,
Enorme pingo quente dourado, 
Mas amargurado ele caminha sem norte (também sem sul).

Só esperou o cair da noite e foi-se frenético abraçar a boemia:
Nas mesas bambas dos piores bares sentiu-se bem, satisfeito,
Era aquilo ali (Alá, a luz, além) que ele queria.

Com as paredes descascadas e encardidas, 
Banheiros de intolerável cheiro ruim;
A meia luz...
A farra no garrafão de vinho barato que esvazia:
Todo feio se faz tolerável;
O detestável é a alegoria da vida.

Com três palitos de dente se faz um xadrez psicológico,
De deixar Freud confuso e Confúcio fã de Pink Floyd.

O que eu faria em uma atmosfera assim? 
Além do porre corriqueiro:
De janeiro e meu aniversário;
De ver estranhos saindo do armário;
De tudo que é falso tornar-se verdadeiro.
O que eu faria?

Largaria o último copo e voltaria ao primeiro,
Desde onde a mente vai demudando,
O tom de voz aumenta, palavrão atroz vira salmo,
E enterra-se qualquer tormenta.

O qu…