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Mostrando postagens de Março 5, 2015
ALGUNS MINICONTOS

- Eu acho tudo isso um saco! - Já eu acho tudo isso muito interessante. Até isso de você achar tudo isso um saco.

Precisando desabafar, Pulino contou coisas suas, íntimas, a Caluffo. Caluffo era seu amigo de confiança. Mas comentou o que ouviu com Matella, sua esposa, sua amiga de confiança. E Matella comentou o que ouviu com Sunira, sua amiga de longos anos, sólida amizade, de confiança. Mas Sunira não era amiga de Pulino. A ela Pulino jamais contaria coisas suas, íntimas.

Ankaldo achou sua cabeça rolando no pátio, para lá e para cá. Ralou com ela. Estou te procurando há horas, disse. A cabeça de Ankaldo deu uma gargalhadinha satisfeita, de menina coquete que conseguiu chamar atenção. Ele, pelo menos, percebeu.

- Não, obrigado, não é pra mim. - Mas você não disse que deseja tanto? - Desejo. Mas desejar é uma coisa, Obter o que não é pra mim é outra.

- Foi muito feio. - Foi mesmo? - Mesmo. Nós nos dissemos horrores. - E vocês já conversaram sobre isso? - Não. …

Dueto da tarde (LXXXIV)

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Dueto da tarde (LXXXIV)

O bicho mau, que come as folhas do jardim, olha pra mim e diz: hoje o banquete está farto, vou terminar e parto.
O bicho mau por vezes demonstra educação e gentileza. Mas quando bota a mesa ele age com rigidez; quer encher a pança pois pode não haver "outra vez".
Voracidade, determinação. Tudo para ontem, sem compaixão. 
O bicho lá de baixo vê o mundo bichado dos "lá de cima"; então sorri, entra no clima e segue a trilha antes da tempestade.
Tempestuoso, intempestivo. Temperamental: bicho mau. Mas do seu ponto de vista é apenas passar em revista as oportunidades.
E assim segue até o próximo quintal, bicho mau é "o bicho", é do bem, não do mal; gosta de luxo, não come lixo nem perde tempo com homem mau.

Rogério Camargo e André Anlub
(5/3/15)