Postagens

Mostrando postagens de Março 11, 2015

Dueto da tarde (XC)

Imagem
Dueto da tarde (XC)

Era fácil perceber que estava errado. Mas era muito difícil perceber que estava errado.
Num não vai e fica da teimosia, na tatuagem da teimosia que teima em teimar que vai ficar.
A questão não era só questionar, a discussão não era só discutir, o debate não era só debater e o silêncio não era só calar a boca.
A pergunta rodopiava no furacão de seu mundo, e ao fundo dava para ver o esboço da resposta embaçado e em um imenso anagrama.
Indisposto a cambalhotas retóricas mas embaçado nas lentes da percepção objetiva, tirava a viola do saco e tocava.
No redemoinho as notas musicais subiam e giravam em projeções cônicas e iam desfazendo-o como mágica; depois caiam em chuvas tépidas de melodias harmônicas.
Era bonito. Mas ser bonito não é tudo. Como perceber que está errado não é tudo. Por isso ele só tocava, sem cantar.
A chuva por sua vez encharcou o solo e fez brotar célere uma grande árvore que a sua frente apresentou-lhe um fruto com a resposta escrita, novamente... mas dess…

Ode ao Louco varrendo

Debora Nascimentopor azdsdn

Ode ao Louco varrendo
(André Anlub - 28/6/12)

- Sente na carne o estrago que a trincheira do corpo
Deixa passar;
Flecha que não era bem quista
- disritmia foi-se a bailar
Casco inquebrável,
Por vezes tentado a traições.

Entre o espírito luzidio e a aura,
Há um fulgor de Foucault mais forte;
Persevera a bondade do antes e do agora
Ser altruísta de cumplicidade
Afortunada e contínua:

Mostra com clareza, destreza e simploriamente os “nortes”.

A altivez tem tratamento
(seja por vezes até o suicídio)
Segurando forte em uma mão a vida moribunda
E na outra mão a morte.
(acalento que soa sem perigo)

Suspenso pelo pescoço,
Com as canelas ao vento
No abismo vê-se de culpa isento
(dor e remorso)

Dimanem sacrifícios?
- Não, chega de ignorância!

É um louco varrendo...

II
Não é adulto e nunca quis ser:
Devia dedicar sua vida a cuidar dos filhos;
Devia tentar exterminar todo o mal do mundo;
Deviam ver o verde e não amar o amarelo
E pintar na mente todas as rosas de rosa.

Dos Outonos

Publicação by Airô Barros.

Tão célere vai passando o ano que já deu sinal na retina: o outono, descendo a colina.

Dos Outonos
(André Anlub - 10/10/12)

Já é outono...
Já é beleza.

Natureza com realeza e seus adereços,
E o endereço com a maior certeza
É não esquentar cabeça com nenhum transtorno.

Há uma cidade com um parque no centro...
Não é o Central Park!

O amarelo e o carmim abrem o caminho,
E mesmo sozinho nunca me perco.

Há uma casa com uma árvore muito cheia,
No outono ela emagrece,
Fica mais bela!

Pela janela
Estupefatos,
Todos emudecem...

E contemplando perguntam aos quatro ventos:
- merecemos viver essa loucura?

Já é outono...
É formosura.

No Silêncio do Nada (Por nada não)

Imagem
No Silêncio do Nada (Por nada não)
(André Anlub - 3/8/10)

Escrever é expressão, é dar pressão e se exceder.
É no viver levar o mesmo com mais emoção.

Aos que temem a caneta:
Fiquem imbuídos de lançar a flecha
E terão a certeza de acertar pelo menos um coração.

Os pensamentos são mutáveis,
Assim como a inspiração.
Variam conforme o dia, o clima,
Moldam-se de acordo com o humor,
Com a razão e a dor.

Por isso, ninguém jamais poderá mudar a escrita!
Ela, por si só, já é mutante.
Isso que a torna sempre viva
E deveras interessante.

O renascer a cada segundo faz-nos pensar em Coisas novas – novos temas.
Migramos de um ser com o âmago quase Moribundo, para aquele que ilumina com sons, Artes e poemas.

Faço essas anotações num domingo, madrugada,
Flagro-me escrevendo com os olhos quase Fechando sob a luz da cabeceira,
Dentro do silêncio do nada.

Pingos que caem ao chão,
Nuvens nublando o tempo que se arrasta
Em um céu total e ampliado (amor de irmão).

Ouço sons que outrora eram de pássaros,
Vejo rastros de coloridos a…