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Mostrando postagens de Março 12, 2015

Pássaro do meu Eu

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Pássaro do meu Eu

Vai sem pressa à mesa – mas com firmeza, ao menos dessa vez.
Os pássaros estão inquietos:
O beija-flor parou seu beijo e ficou inerte, de butuca na sobremesa;
O Pintassilgo pinta a selva e voa.
Não há necessidade, tampouco idade, para se buscar ternura;
Há sim o sol escasso, pois morre um pouquinho todos os dias, 
Mas não perde as vigílias, mesmo lá ao longe no espaço.

Vem com pressa, pois há a recompensa que não condensa aos olhos da Condessa;
Eis os muitos sensatos planos, pois não são de roubos a bancos...
São planos no âmbito das paixões insanas, nas conjecturas sanhas,
Que recentemente e sempre falta/faltou coragem de um Eu que impeça.

Quer ter coragem para encarar o meu medo, é simples:
Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa;
Sou aquele pássaro que escapa da gaiola
E por dentro sai cantarolando “Wild Horses” dos Stones,
Mas pelo bico sai meu canto de ave mesmo;
É aquele animal em extinção que anda na lenha, no lema e na linha...
Aquele “ex-tição” que ganha brilho; é tal que t…

LUTO NO ÔNIBUS

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Diario de Pernambuco
‪#‎EmFoco‬
LUTO NO ÔNIBUS
por Marcionila Teixeira/foto Alcione Ferreira

A comida começava a rarear em casa quando Jessé de Paula agarrou-se com força àquela oportunidade. Não era um trabalho dos sonhos de um violinista, mas ajudaria no sustento da casa modesta, em Rio Doce, na periferia de Olinda. A tarefa era aparentemente simples: venderia CDs e DVDs piratas nas ruas. Um dia, soube de um amigo preso por fazer o mesmo tipo de comércio ilegal. Amedrontado pela possibilidade de parar atrás das grades, afastou-se do bico. De um dia para o outro, estava novamente na mesma. Sem dinheiro, morando sozinho e sem qualquer horizonte de emprego pela frente. Jessé, o violinista, precisava de uma solução.

As sugestões vieram rápido, dos próprios amigos músicos. “Por que você não se apresenta nos ônibus?”, disseram. Jessé, que conhecia de música erudita, andava dedicando-se, na época, a ler e escrever canções da Música Popular Brasileira (MPB) no J. Duo, dupla instrumental de violi…
ALGUNS MINICONTOS

Abre os braços para a vida e dentro deles vê cair toda uma alegria que julgava perdida. Parece piegas. Mas se você fosse ele, saberia o quanto é verdade.

Pai muito orgulhoso de seu filho. Filho muito orgulhoso de seu pai. Observador isento sorrindo muito levemente do que há de ingênuo e do que há de inocente em tanto orgulho.

- É um jogo de paciência, nada mais que um jogo de paciência. - E quem é que perde, quem se irrita com ele?

- Ele tem dinheiro? - Não. Mas tem uma cara de pau infinita. - É um ótimo capital inicial, sem dúvida.

O Para Que encontrou o Por Isso meio deprimido, caidão, quase a chorar encostado num poste. Fez um gesto de aproximação, mas no olhar que recebeu de volta viu que de nada adiantaria. Levou sua pergunta básica mais adiante, então.

Kaspa Milina era alegre como a brisa tocando o parreiral e fazendo músicas singelas nas folhas. Era alegre como um cavalo novo solto no campo com liberdade. Era alegre como um pássaro descobrindo a vida. Ent…

Dueto da tarde (XCI)

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Dueto da tarde (XCI)

“A mão abriu o portão e os olhos brilharam se ensopando de lágrimas...”. Essa foi a última linha do livro que lia.
Identificou-se com o texto. Era uma chegada com gosto de partida. Tudo se partira. Tudo não seria mais como devia ser.
Aquele amor foi-se há muitos verões tórridos, faz tempo e o calor ficou para trás. O que se carregou foi a conveniência, o que se alimentou foi mágoa.
Havia costurado seus abismos com linha frágil. O livro reabriu tudo. Era preciso por os pés na ferida, atravessá-la caminhando.
Reacendeu sua força, rescindiu sua forca; abriu com facão um clarão na brenha sombria e perigosa, colocou a mochila nas costas e se foi.
Antes de ir olhou bem se o livro ficava. Não queria relê-lo. No prelo tinha outro conteúdo: tudo que não tinha de si e precisava ter.
O livro encanecido de capa já socada e as páginas amareladas havia de tornar-se novo com a simples ausência do último leitor; será assim e vem sendo assim há séculos.
Ela queria ler-se. Atentamente. Ent…

Parabéns Recife e Olinda

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Cidades irmãs programam shows, corte de bolo e cortejos para festejar os 480 e 478 anos, respectivamente.


Gosto demais de Pernambuco
De Recife, Olinda, Porto de Galinhas, Caruaru...
Gosto de sarapatel, praia, carambola,
Ver o Sport jogar bola,
Comer carne de sol e sururu;
E mesmo vivendo no belo Ceará,
A distancia não é mal que há!
Por incrível que pareça
Antes que eu me esqueça,
Vejam que incrível:
Estou a um passo de Pernambuco,
e cem mil de Fortaleza...
Como é possível?

André Anlub®
(22/3/14)