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Mostrando postagens de Março 13, 2015

Gurufim

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Gurufim
(André Anlub - 6/5/14)

Principiou-se o gurufim do fim das horas,
E príncipes negros, índios e gurus
Aplaudem fora.

Já foi tido o caminho com trilhas fáceis
E tão hábeis são ditos sábios ao atravessá-las.

Leram em pergaminhos com preconceitos,
O mito e o medo, a carne e o osso,
São peças frágeis.

Alguns quiseram viver em museus de idos tempos
E oprimindo seus inimigos se sentem bravos.

Lá no alto, bem no alto, da mais baixa montanha,
Avistaram o ser importante com sandálias velhas.
Descia lento e cantava baixo um antigo mantra,
Sentindo a brisa, notando o novo, suando o samba.

E caem as primeiras gotículas álgidas das chuvas,
De uma nuvem única que bailou com o sol
- Arriscando a luta.

Voaram as aves brancas, negras,
Pardas e as aves raras,
E ao se verem vivas e ralas 
– ao se verem importantes e análogas...
Tornaram-se plumas.

O respeito alcança seu ápice quando compartilhado.

Bloquinho de papel de pão

Publicação by Patins Cascavel.

Bloquinho de papel de pão
(André Anlub - 22/3/14)

Viagens na forma e na cor,
De contornos vê-se a alvura das nuvens 
E o livre leve nacarado da flor.

Esparramando nas entranhas,
Eis entranhas que fulgem:
De paixão e luz tamanhas
Que aqui e ali nomeamos de amor.

Sonhos que voam e pousam num flash,
Longínquas dimensões são transpostas
Nos pífanos porretas do agreste.

Segurando um ínfimo lápis mal apontado,
Com a borracha aos pedaços no outro extremo
- Desenha a clave de sol - escreve um belo soneto
Num papel de pão amarelado.

Dueto da tarde (XCII)

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Dueto da tarde (XCII) 

Paisagem de passagem. Todos estão, ninguém está. Perene eternidade efêmera...
É fêmea, é a mãe natureza que sempre marca presença em mim... mas quero mais.
O mais que eu quero me diminui, talvez. Porque já está tudo ali. E tudo aqui já está.
Serei ganancioso? – não! – sou apenas um ser ansioso em busca de escopos para continuar feliz e respirando.
Felicidade também é perene eternidade efêmera. Está e já não está. Pousa nas mãos e ainda está solta no ar com as andorinhas. Mas respiro.
Veio um ar mais frio em navalha; veio uma chuva em ventania, dando alento e alimento aos rios e mares e colocando mais melancolia no meu bucólico dia.
Tristeza de cortar com a faca? Não sei. Até isso é talvez. E faz parte da paisagem de passagem. Logo estarei rindo. Depois rindo de ter estado rindo.
As plantas já me olham sorrindo; as nuvens já pintam alegria em degrade de preto, branco e cinza; o João de Barro limpa os pés no tapete de entrada da sua casa e entra, não antes de me olhar com…

Politicagem

Publicação by Falandoverdades 2.

Politicagem 2010 (do livro “Poeteideser”)
(Música originalmente escrita em 2004)

Se liga que vou te contar agora
Como acontece essa triste história:
O lado mais pobre um trabalho árduo
E o outro lado representa a escória.

Uns morrem de fome numa fila,
Outros compram porcelana;
Uns se perdem da família,
Outros brigam por herança.

Viver com dividas não é vantagem
Você é quem paga essa politicagem.

É vereador, deputado, senador ou presidente.
E o povo está doente – está sem dente – está demente.

Politicagem os babacas e as bobagens.
Cara de pau, ipê, jacarandá...
Até onde essa zona vai parar.

Pra tudo ele tem resposta
Sempre uma proposta
Sem jeito, indecorosa.

Sobe em um palanque:
- um terno, uma gravata,
Com um sorriso
Preparando a mamata.

Estende as mãos
Estende os braços
Desfaz-se em pedaços
Tudo vai resolver.

O mundo ficar quadrado
O inferno, congelado
É só ele prometer.

Já sabem de quem eu falo?
Mas é melhor, eu me calo
Se não, vão me prender.

Vou indo sem rumo sem graça
Andando por to…