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Mostrando postagens de Março 19, 2015

Vendendo meu peixe...

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Focamos a vida em construir. É o que nos norteia e nos faz levantar e lutar a cada dia. Temos uma conotação ruim à palavra “desconstruir”, pois vemos um cenário negativo, desqualificativo e nocivo nela. A questão é que crescemos nos moldando com o tempo, ganhando corpo/conhecimento como um castelo que nunca ficará pronto. Vamos sendo construídos tábua por tábua – pedra por pedra – cimento – areia, e influências externas. Nesse processo de construção, nessa massa, nessa essência, coloca-se também estigmas sociais, preconceitos, teimosias e arrogâncias. É salutar aceitar, reconhecer e aprender a desconstruir tais sentimentos, a fim de sermos mais tolerantes e justos.

Dueto da tarde (XCVIII)

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Dueto da tarde (XCVIII)

A grama teimosa cava espaço entre as lajes de concreto, adornando o seu cinza sem graça e quebrando a dureza frígida.
Seus desenhos despretensiosos poderiam inspirar a pretensão mais rígida.
A joaninha escala a grande muralha só para lhe presentear com sua presença.
O grilo noturno sai ao sol e desafia as lógicas que o querem noturno e, de preferência, silencioso.
A grama olha curiosa, e volta a pintar sem gana – sem grana – sem gula. A grama não é indigente, diz que sempre esteve ali, mas não cobiça o terreno.
Apenas luta pelo seu direito. Torto é o que veio depois. Um depois que é agora e sempre. Um sempre que a grama luta para que seja nunca.
Chove uma água de banho e deita e rola em seu espaço. Acalora um sol de outono fingindo ser dono do pedaço.
A grama fica com o que é seu e luta. Alguém lhe pisa em cima, alguém cospe nela, alguém joga-lhe um toco de cigarro. A grama fica com o que é seu e luta.
Aparecem todas as solas dos sapatos, todos os sóis, os fins de tarde…
ALGUNS MINICONTOS

- Tobinha, olha só, o sol da primavera voltou! - Ótimo. Agora vamos ver o que a primavera diz disso.

Campos Ocampo não dormiu muito naquela noite. Campos Ocampo nem lembrava mais  em que noite havia dormido muito. Se lembrasse, talvez também lhe viesse à memória a dor de cabeça e o mal-estar que sentiu durante o dia por haver dormido demais.

- Ando com poucas ideias para escrever. - Mas mesmo assim andas, não é? Pior se ficasses parado com poucas ideias para escrever.

Janilara foi deitar pensando em que não precisava ir deitar, que podia ficar bestando no computador – sempre tem alguém a fim de um papo – ou bestando na televisão, com os quatrocentos e cinquenta canais inúteis da NET ou bestando na janela, vendo o trânsito lá fora, uma coisa realmente besta. Eram tantas as opções de bestagem que Janilara foi deitar pensando que tinha uma vida muito rica, obrigado Senhor por tantas dádivas diárias.

O racismo chamou o preto de macaco, mas era só brincadeira. O preco…

Tempo de ser servido

Publicação by Quebrando o Tabu.

Tempo de ser servido
(André Anlub - 2/3/12)

Quero me doar ao máximo:
Perder (por livre e espontânea vontade) a liberdade.
Quero a salutar realidade de um amor:
Aos quatro olhos, eterno.

Quero ter filhos, ou não
Quero repartir e debater nossa opinião.
Ser servido e servir,
Ser a ilusão mais verdadeira e óbvia.

Vamos nos fartar em mesas fartas,
Comer salmão ou sardinha,
Beber vinho oneroso ou sangria,
Juntos, tudo será sempre o melhor.

A taça fina, que ao rodar do dedo canta,
Ouço o som mais doce e apaixonado;
Junto ao seu cálice que me acompanha
Fecho os olhos, embarco e me entrego.