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Mostrando postagens de Março 23, 2015

É mentira

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É mentira

Ouço aquele antigo e famoso soneto; 
Aquele soneto penoso, faceiro e genioso.
Criou um rolo que rola pela rua ao desígnio;
Sopro do delicado açúcar que soa e sara como seiva na sua nuca.

Vou fingir ressentimento, pirar e respirar o mais fundo possível...
Vem passando o caminhão do fumacê.
Faça como fiz: coloque seus espertos óculos espelhados
E vire um servo que serve de espelho aos cabelos despenteados dos amigos.

Lá vem ele de novo!
- enganou-se o bobo na casca do ovo.

Teve tal sujeito sem jeito para quase nada,
Mas que fez cabana na colina.
Colhia taioba e fazia um refogado supimpa.
Tal homem babava – bebia sidra e dormia cedo, sonhava muito e muito sorria...
Era gente boa, boa bica, de boa índole – dependente de sol e insulina.

Lá vai ele de novo!
- é mentira!

André anlub
(23/3/15)

Dueto da tarde (CII)

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Dueto da tarde (CII)

Fala pelos cotovelos, reclama pelos cotovelos, quase não usa os cotovelos para dar cotoveladas ou salutarmente apoiar na janela – paquerar ou ver o sol nascer.
Acotovela-se “linguando” e “linguando” passa o tempo que os cotovelos passariam se apoiando.
Cotovelos nada selvagens, todos pamonhas. Avermelhados de tanto descanso, quiçá de vergonha.
Pensa em fazer uma tatuagem em cada cotovelo: duas bocas.
Há planos de aposentar a própria boca, pois para os queijos há o regime e para os beijos se auto restringe.
Se não der certo, vai falar e reclamar e repetir que tem razão até que os cotovelos criem joelhos.
São cotovelos carentes de desvelos; até são como aço, mas em pedaços. Acabarão parecendo pinturas de uma fase de Picasso.
Por enquanto, enquanto falam, têm de si a ideia posta sobre si: é necessário - e se é necessário é preciso.
Pensam e discutem (um com o outro) e falam muito e se iludem. Não repararam que são apenas cotovelos (metade do braço) sem rédeas sem rodeios, são…

A Perda da Fé

Publicação by Canal Brasil.

A Perda da Fé
(André Anlub - 21/1/11)

A visão mais turva, suja,
Deixa que eu mesmo piso na uva.
Sei que irá curar o desalento,
Muito mais fácil deixar cair dos olhos uma chuva.

Cansei de levantar para o céu as mãos,
Engasgo com o medo, ébrio e hipocondria.
Supre a dor com o Comprimento de um comprimido* comprido...
Levanta e não cai de joelhos ao chão.

Dizem que um Deus te ama!
O resto do mundo não.

Todos os elos dessa corrente,
Foram tomados pela ferrugem.
Águas só me molham, aos outros ungem,
Palavras incertas e ditos incoerentes.

Com os nossos cabelos ao vento
Que acabam levando a vida,
Uma partida fez-se momento,
Para um lugar bom será sempre bem-vinda.

Como sabemos dos nossos erros
E como fingimos indiferença.
Como negamos todos os zelos
E como sofremos com nossas crenças.

Dedão nas orelhas,
Mãos espalmadas
E línguas a mostra...

Armado o circo, chamamos os santos.
Com olhos cegos soltem seus prantos...
Eu perdi a fé, quero uma forra.