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Mostrando postagens de Março 29, 2015

Será que sou ave em seu sonho?

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Será que sou ave em seu sonho? 
- Até coloquem palavras em minha boca... mas que nasçam poesias.

Tempo malvado, malvisto e infausto.
Muitas águas tumultuosas – marés nervosas – ventos de inverno e inferno astral: 
sei de pessoas idosas com extrema dificuldade em andar/nadar.
Vejo algoritmos de vaivéns escritos sem nitidez em pergaminhos;
peço ajuda a estranhos e fico aborrecido por desconstruírem meu ninho.

Desenterrei meu tesouro e veio-me você – assim – num estouro –,
deixando o que pode no poço e empossando-se agradavelmente do espaço.
Hoje sou o mesmo Eu, mas mais suave; sou velho, menino e sou ave.

Voei – vou e fui bem longe: larguei a máscara de mau moço,
pois é mau demais para onde vou – é mau demais para tudo isso (que está por vir).
Jocoso – o sorriso largo do lagarto ao ver nascerem suas pernas na saída do lago.
Viçoso – saber que foi sonho ao ver do lagarto um lacaio atropelado na estrada.

O tempo é intenso, anda com pressa e sente medo e se sente vivo; 
faz ideia que loucura é isso?
Ganhe…

Para ponderar:

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Último poema de Soledad Barrett, escrito para sua mãe, no dia de seu aniversário, 11 de Setembro de 1971, pouco antes de partir para a luta contra a ditadura militar. Mesmo grávida foi espancada e barbaramente assassinada!

Mãe, me entristece te ver assim
o olhar quebrado dos teus olhos azul céu
em silêncio implorando que eu não parta.

Mãe, não sofras se não volto
me encontrarás em cada moça do povo
deste povo, daquele, daquele outro
do mais próximo, do mais longínquo
talvez cruze os mares, as montanhas
os cárceres, os céus
mas, Mãe, eu te asseguro,
que, sim, me encontrarás!
no olhar de uma criança feliz
de um jovem que estuda
de um camponês em sua terra
de um operário em sua fábrica
do traidor na forca
do guerrilheiro em seu posto
sempre, sempre me encontrarás!
Mãe, não fiques triste,
tua filha te quer.

Madre, me apena verte así
el quebrado mirar de tus ojos azul cielo
en silencio implorando que no parta.

Madre, no te apenes si no vuelvo
me encontrarás en cada muchacha de pueblo
de este pueblo, de aquel, de aq…

Dueto da tarde (CVIII)

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Dueto da tarde (CVIII)

O pequeno frio é um ensaio para o grande frio.
Permita-me comentar: o trio elétrico vai passar.
Talvez haja calor nele, talvez apenas ruído.
Foi imbuído a trazer dúvidas e calafrios.
O que ferve nele pode esquentar a alma ou congelar.
O que serve nele é a nova calça jeans em liquidação.
O consumo num assomo de agasalhar. Ou de dar aparência.
E se houver extrema experiência: aquecer, decorar e enfeitiçar.
O pequeno frio dá uma pequena risada e segue o ensaio.
Não sei se entro ou saio para observá-lo observando os vassalos.
Deixá-los em paz é ironia: eles não sabem o que é isso.
Então se usa o feitiço criando o compromisso com os vis castigos.
Castigo maior é o grande frio. Que o pequeno ensaia na praia,
Que o médio desconhece na vaia, que o grande reafirma em sua baia,
Que o enorme traz para sua raia e todos concordam em um ponto:
Quem não afaga que vá para o raio que o parta.

Rogério Camargo e André Anlub
(29/3/15)

Parabéns Salvador

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Com Mariene e Margareth, Bethânia leva emoção a aniversário de Salvador
Apresentação reuniu 50 mil pessoas, segundo estimativa da prefeitura. 
Capital baiana completa 466 anos no domingo e tem série de festejos.

Maria Bethânia, Margareth Menezes e Mariene de Castro em Salvador (Foto: Valter Pontes/Divulgação)
Quatro em Salvador: (André Anlub - 26/10/13)
I É no embalo do calor humano, Arte que grita no urbano; Salto das classes Que falam aos ouvidos, Destemidos artistas do azul infinito... 
É de sal e saudade, De real e sonho, Esperança e destino. 

II (a merecer)  O por do sol por trás do Farol da Barra, É barra não me pôr à mercê Do (so far) rol dos saudosistas.
III Moqueca e bobó de camarão, Vatapá, caruru, azeite de dendê, Sururu, acarajé, pirão e um assado cação;
Viver só é bem bom Quando é mais, mas muito mais, Que o bater de um coração.
IV Salvador de amor de sol generoso E poderoso sal de mar de amar...