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Mostrando postagens de Março 30, 2015

Dueto da tarde (CIX)

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Dueto da tarde (CIX)

Naquela aquietada tarde de verão ouviu-se de um coração a voz de prisão.
Você é meu!, dizia ele para si mesmo, mesmo sem entender o que dizia.
Seria paixão doentia, doação, ação – reação ou fantasia?
Não havia espelho que respondesse. Vê-se que sozinho resolveria.
Buscando em todos os âmbitos os amores recentes, deparou-se com a poesia.
Era a única forma de aplacar a nostalgia e transformar tristeza em alegria.
Mas já era de casa a poesia: arrumava a cama, cuidava dos cães, fazia comida, preparava a marmita e ainda trabalhava como vigia.
Até quebrava o galho na medicina: muitas vezes curou sua azia.
Sozinha sentia-se solitária, por isso pulava cercas e muros, pulava o claro e o escuro, pulava corda com a vizinha e no violino pulava acordes... era assim seu dia a dia.
Dois solitários então. O dono do coração e a poesia com sua carga de melancolia.
Dois viventes famintos; dois siameses distintos; dois incentivos à vida criando o lume em uma tarde sombria.
Duas sombras que a ago…
ALGUNS MINICONTOS

Excursão pela Europa. De repente uma voz pergunta: - Que lugar é este? E uma voz responde: - Hoje não é terça-feira? Então isso é a Holanda.

A Originalidade reclamou que a Mesmice vivia se repetindo. A Mesmice respondeu que ser original era problema da Originalidade.

Sinto pena das horas que passam como minutos e não conseguem aproveitar a si mesmas. Dos minutos que passam como segundos não tenho tanta pena assim. Mas das horas que passam como minutos tenho tanta dó que, se elas vissem, passariam como séculos.

- Você tem certeza do que vai dizer? - Claro que não. Nunca tive. - Então você é a pessoa certa. Pode falar.

- Senti tua falta. - É. Eu também senti minha falta. - Onde você estava? - Se eu soubesse, não teria sentido minha falta.

- Preciso melhorar a minha imagem!
- Vai trocar a antena ou instalar um cabo?
ROGÉRIO CAMARGO