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Mostrando postagens de Abril 2, 2015

Minha imaginação inventa

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Minha imaginação inventa 
(André Anlub - 13/3/13)

Apenas achou o caminho
nem louco, nem santo
fez casa como João de Barro
falou línguas, tirou sarro
cantou melodias famosas
outras nem tanto.

Os caminhos ardilosos
que evitam os precavidos
são vazios, nada faceiros
sem amores, sem anseios
e a rotina asfaltou.

Nas estradas abstrusas
com alcunha de “caminho”
passa o birrento
passam o forte e o neutro
passam nuvens de feltro
num céu azul marinho.

Alguns tolos de exposta lamúria
escalam montanhas de fogo
vulcões que são seus espelhos
na realeza da calúnia.

Mas na sinceridade da entrega
o amor que mais alto berra
tocando a ponta da estrela
na penúria da cratera
na adaptação do obstáculo
diz-se a avenida da espera.
Arrisco-me nessa rodovia
na jornada bela e florida
com brisa que forte venta
com tulipas e margaridas
que minha imaginação inventa.

Dueto da tarde (CXII)

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Dueto da tarde (CXII)

Caminhando por uma rua escura, solitário e com frio.
Voando no céu mais cinza, sem promessas ou destinos.
Boiando num mar de estagnações, deixando-se levar e não chegando.
Alcançando um arco-íris incolor e abandonando para trás as tintas,
Deixa cair a cabeça em vez de erguê-la, deixa escoar a vida em vez de tê-la nas mãos.
Em um espelho oportuno só vê prisão, um “não” sem “sim”, um fim sem ínterim.
Discute com o espelho. Quer inverter a imagem. Quer passagem para o outro lado sem sair deste.
Já fez uma franca amizade com o barqueiro; aquele famoso barqueiro que leva ao “lado de lá”.
Manda-lhe ingresso para jogos, convida-o para cervejadas, quer batizar os filhos dele. O barqueiro não responde.
Mas a jangada está a postos. A maré sempre bravia, mas é só colocar o pé a bordo e vem logo a calmaria.
É querer e não querer. O tédio sem remédio não arreda pé de sua fé: ir sem ir, ficar sem ficar.
Antes da tentação queimou as caixas de remédios com validade vencida (assim seu ato su…
ALGUNS MINICONTOS

- Isso tudo é uma grande indecência, uma imensa imoralidade! - O que? Não estou vendo nada demais. - Você deve estar cego pela luxúria e pela concupiscência. - Com cuspe ou sem cuspe, não tenho ciência de nada que abale os alicerces da vida cotidiana aqui. - Sua alma perdeu-se!  Vou rezar por você! - Cada um se diverte como pode. Agora com licença. Vou ver se alguma dessas imoralidades está precisando de mim.

- Chiquinho, cadê Chicão? - Sei lá, deve estar com Chico. - Colhendo chicória? - Pra botar nas xícaras. - Ha ha ha nós somos demais! - Achicalhantes.

O perfume da tua voz dando cor à cor de meu jardim solitário que já não mais solitário canta.

Plá bateu à porta de Plô. - Vim aqui para resolver aquela questão. - Mas aquela questão já está resolvida. - Não para mim! - Então não é na minha porta que você precisa bater.

Bânquilo Manquisa fez um grande favor a Bânquilo Manquisa : sumiu da vida de Bânquilo Manquisa. Ele ficou extremamente feliz com isso. Teme ape…