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Mostrando postagens de Abril 15, 2015

Meu mar é mais melo que marmelo

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Meu mar é mais melo que marmelo 
(André Anlub - 24/1/15)

Dizem que a inspiração vem pelo ar, (e é absurdamente bem-vinda, como o amor esvanecido), e as asas invisíveis já estão batendo, em sintonia... distintas criações e influências passeiam pelo ar; dizem que surgem e vão-se como uma espécie de epidemia... voejando; passam por frestas de janelas, levantam e assentam folhas, poeiras, ouvem besteiras da larga e desumana boca da intolerância que um dia há de se acabar. Seguem voando... Incidem nos cabelos das morenas, das meninas, pegando carona em seus luxuosos pensamentos... aprofundam-se em sonhos e estacionam (provisoriamente) nas imagens, nascem delas ou as inventam; criam pessoas, situações; criam o mar e canoas – criam o navegante – esculpem a perfeição. “Queijo coalho, pamonha, acerola, açaí”. Gritou o vendedor enquanto eu resolvi rabiscar esse texto; o açaí lembrou-me o mar. Quero o som do mar, a visão do mar, o sabor do seu sal, tombar na monumental percepção de bem-estar; (mes…

Da arte

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Da arte (André Anlub - 20/3/12)
Primeiro marquei meu horizonte Em um traço negro em declínio, Deixo a inspiração fazer domínio E depois me embriago na fonte.
Pintores são fantoches e fetiches, Sobem em nuvens, caem em piches; Respiram a mercê de sua cria, Bucólicos profetas à revelia.
Tudo podem e nada é temível, Nem mesmo perderem o dom, Sabem o quão infinito é o tom.
Seus corações de loucos palpitam E no cerne que eles habitam Saem às cores do anseio invisível.
A arte é muito além do coerente, é avesso e infinito, é forma ou desforma; a arte não se envolve com quaisquer opiniões, existirá de qualquer forma.

Todo amor

Antoine de Saint-Exupéry, autor do livro Pequeno Príncipe, partiu para uma missão em 1944 e nunca mais foi visto. No Superlistas, conheça outros casos.
Posted by Revista Superinteressante on Quarta, 15 de abril de 2015

Todo amor 
(André Anlub - 1/3/15)

É redundante, mas esse atroz falante vai se alongar:
Já não bastavam os anos vividos? 
- não!

Quero mais do nosso rio – me beije e me abrace,
Beije-nos e nos abrace;
Aproveito o gancho e abuso da deixa, 
E do remelexo não me queixo:
Quero mais do Brasil, já é de praxe,
Quero um um, um dez, um cem 
– quero um mil e nada mais, nada mau.
E num pisco eu pesco o Carioquês
E canto o karaokê – já vai dar peixe:
“Rio 40 graus”.

Ver de verde e o azul de mar 
E o amar de amarelo e o branco da paz:
E o que apraz? 
– nas praças ver crianças sorrindo;
E o que é estrela? 
– o sol raia na beleza de uma praia (Arpoador);
E o que se almeja? 
– ver comida nas mesas – e à beça, e abusa.
Cristo – nosso senhor – redentor.

É redundante, mas não cansa:
Quero a paz indo à praia de biqu…

Dueto da tarde (CXXIV)

Songbird can make every Star Wars sound
Posted by Viral Thread on Segunda, 10 de novembro de 2014

Dueto da tarde (CXXIV)

Chega da rua com as mãos carregadas de outras mãos
Os pães ficaram na padaria, os cães na esquina.
Ainda tem olhos de perguntar: onde estão os pães? Onde estão os cães? Que mãos são essas?
Esqueceu as histórias que iria contar: quem é Mrs. Dalloway? Quem é Daenerys? Quem é Cinderela?
Tem olhos que perguntam mas não tem olhos que respondam. Então chega da rua carregado e descarrega.
O coração, a cabeça, a alma, a voz de esquizofrênico há tempos não dizem nada.
De frente para si mesmo está de costas para si mesmo.
É meio torto, mas o espelho só tem valia de frente a outro.
Chegou da rua e não foi procurar um espelho. Chegou da rua sem pensar que espelhos existem. Chegou da rua carregado e descarregou.
As mãos que carregava carregavam sonhos; e os sonhos largados ao chão foram se espalhando por toda a casa.
As mãos que carregava e carregavam sonhos bateram palmas, pedindo urgência…