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Mostrando postagens de Abril 19, 2015

Enxugando os Prantos (parte II)

Creep - Vintage Postmodern Jukebox Radiohead Cover ft. Haley Reinhart...www.artFido.com/popular-art
Posted by artFido - fetching art on Domingo, 19 de abril de 2015

Enxugando os Prantos (parte II) 
(André Anlub - 18/9/14)

Os homens levaram a melhor, restauraram sem piedade os próprios corações... as nuvens, no gritante azul piscina do céu, ficaram devidamente alinhadas.
Aqui, ali, todos esqueceram que previram a tempestade que jamais se formou; vestes novas, bebidas aos litros e litros, frutas raras e frescas abocanhadas... e nas madrugadas uma surreal lua fluorescente. Como plano de fundo: casais e seus calorosos corpos colados, sorrisos aos montes e seus extensos beijos; no plano mais à frente: crianças corriam felizes, brincavam com brinquedos de madeira e não se fantasiavam de adultos... e não aconteceu o absurdo das águas se tornarem doces e estragarem os dentes. Aqui, ali, a mais completada ordem; muros e rostos pintados com coloridos belos, sem o grafite nervoso da política e o es…

Pássaros que vem e que passam também são pássaros que ficam

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Pássaros que vem e que passam também são pássaros que ficam 
(André Anlub - 14/7/13)

Indo bem mais profundo no nosso universo,
Habita o ponto cego da felicidade.
Ela vive numa espécie de vilarejo antigo, 
De casebres de pedra,
E dias tranquilos de sol dócil,
Ar sempre puro e vida que se vive.

Às vezes cai leve garoa,
Pois há a tal da nostalgia.
Nada combina mais com melancolia,
Do que uma garoa,
Acompanhada de um pouco de vinho e frio.

Para explicar melhor...
Fica na triangulação da apatia, a razão e o amor.
Alguns poetas sabem exatamente onde fica,
E alguns filósofos escondem.
Mas existe,
E algo me diz que é por lá, numa casa,
Que terminarei os meus dias.

Tem inúmeros pássaros que passam os dias rondando a região,
Mesmo sabendo que há comida suficiente por lá.

Já me vejo numa velha poltrona de couro,
Alguns tragos e um bom queijo,
Mas me contentaria com castanhas.
Vejo alguns vasos caros, com belas flores.
Mas poderiam ser de argila - comuns.

Ao surgir da lua cheia,
A expectativa da inspiração.
Sentaria na peque…

Dueto de tarde (CXXVIII)

Essa vai pra você que joga chiclete no chão...Climatologia Geográfica
Posted by Climatologia Geográfica on Domingo, 19 de abril de 2015

Dueto de tarde (CXXVIII)

Tudo que te falo em incêndios tu me respondes em nuvens.
Na obviedade de Freiras tomadas de branco com passos rápidos nos jardins das abadias
Não se refletem as tuas respostas. Escapadiças respostas, que se diluem num céu cordato.
Quase tudo que te falo em dificuldades tu me abafas com um sorriso.
Talvez porque saibas muito delas, talvez porque saibas muito de mim ou talvez porque saibas muito do que nem sei que é pra saber.
Hás de convir com os viveres, pois tu és viveiro; vejamos os pássaros vivos que já voaram a tua volta. A mim couberam poucos, a ti aos montes.
Sou um vulcão e tu és a ilha que se forma quando a lava aplacada deixa-se moldar.
Ilha pacífica do Pacífico; equidistante vem o céu que te olha com flerte pela beleza exposta, pela formosura intrínseca na pele de deusa.
Sou o maremoto querendo engolir a ilha. Tu és o depois,…
ALGUNS MINICONTOS

Deixou cair a palavra na frente do silêncio e esperou. O silêncio não recolheu a palavra. E esperou.
A imagem que Tronétio guardara do amigo de infância era bem esta: a de um amigo de infância. Passaram-se quarenta anos  desde que haviam brincado juntos pela última vez, antes que uma família fosse embora e outra ficasse. Por um tempo trocaram correspondência, mas nenhum dos dois gostava de escrever. E naquela época não havia telefone que “faz tudo”. Naquela época havia apenas ir embora (ou ficar) e sentir saudade. Era o que Tronétio sentia, depois de quarenta anos. Uma saudade avassaladora, que sequer o reencontro com o amigo aplacaria, porque reencontrá-lo não traria a infância de volta.

Estava escrito nas estrelas. Mas para ler o que estava escrito nas estrelas era preciso levantar a cabeça.

- Eu preciso ter condições! - E do que você precisa para ter condições?

Estende o perdão como quem dá uma esmola. Fica surpreso quando o recusam.

- Me dá uma dor no pescoç…

Tribos urbanas (Dia do Índio)

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Tribos urbanas  (André Anlub - 16/11/14)
O precipício perdeu boa parte do seu encanto, deixando fraco canto e a sensação de não ser mais original; as estrelas tornaram-se muito mais convidativas e o amor na ativa, com sua calentura e seu interminável brilho, astuciosamente esculpe o seu brio: Antônio Francisco Lisboa – atemporal.
Vem à luz amistosa, a luz da lua cheia, faceira, que parece acariciar o vento; caminha pelas ruas de pedras através das sombras dos postes, dos bêbados e árvores, dobra as esquinas e passa de janela em janela, de porta em porta; passa pelas casas antigas, casas recentes e silentes, casas de Ouro Preto.
Por longas datas as bocas gritaram, cantaram e se tocaram em desejos; corações se uniram e se iluminaram em suas vielas; as bocas deles e delas perpetuaram e protegeram todo o, e o de sempre, luar.
O lugar e o legado, agora foram contidos pelo silêncio. Só por um instante: - um minuto de tributo! Assim como ocas ocas, sem seus índios que saíram para caçar e voltaram com…