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Mostrando postagens de Abril 23, 2015

Samba do crioulo doido na casa da mãe Joana

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Samba do crioulo doido na casa da mãe Joana 
(André Anlub - 5/7/14)

Tudo naquela bolha de sabão,
O mundo, o universo, as aves, o mar...
Tudo coloridamente alucinatório
Na majestosa bolha de sabão.

Chegam os louros de toda a vitória:
O pódio, as coroas de flores,
A beijoca aqui e outra acolá;

Chega o conforto num colchão de molas,
Vão-se os odores de podre
Do peixe dourado morto;

Vão-se as duradouras dores
No ponto morto das costas.

Cada pétala dessa certa rosa
Coloriu-se com as cores preferidas de todos,
Foi um bafafá, foi uma correria – para aqui, para lá.

O canto esfarela e professa
Dançando com cada caravana sem freio, 
Ri dos ventos úmidos
Que não deixam as fardagens secarem nos céus,
Mas chora com seu som abafado
Pelo sol escaldante
Pendurado na ponta da lança de um Deus.

Seriam sonhos?
Ergueram os mais belos castelos,
Barro por barro, pedra por pedra,
Para depois deixarem vazios, sem libertinagens, sem histórias...
Só com o eco do silêncio, com o vazio e o tempo,
Com a fantasia de um achismo simplório.

Não, …

Dueto da tarde (CXXXII)

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Dueto da tarde (CXXXII)

Já não era sem tempo: o tempo estava comendo seus calcanhares e nem as lembranças resistiam mais.
Os olhos embranquecidos e as rugas por todo o corpo lembram um ser já morto que persiste em estar vivo.
Puxar uma cadeira de balanço para a frente da janela. Puxar uma janela para a frente da cadeira de balanço, acender um charuto cubano, ouvir uma salsa ou um tango... Pensando bem: nenhum dos dois.
Melhor ficar ouvindo o vento nas árvores, algum pássaro e o som da saudade.
Melhor fica tentando lembrar de algum momento e esquecer do esquecimento que o invade.
Uma sensação de urgência, no entanto, faz trepidarem as paredes. As velhas fotografias penduradas quase caem; e nas telhas escurecidas, umedecidas e com limo passa um felino faminto olhando de lado para tudo, olhando de vulto para o nada.
Como se fosse a noite, como se tivesse a noite à sua disposição. Caça e não se preocupa em ser caçado.
Já não era sem tempo: o tempo agora lhe prega uma peça, fazendo retornar algu…

Dia Mundial do Livro

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O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia desapareceram importantes escritores como Cervantes e Shakespeare, entre outros. A ideia da comemoração teve origem na Catalunha: a 23 de abril, dia de São Jorge, uma rosa é oferecida a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo.

Despedida (I – XII) - Salve São Jorge

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“Em breve” e “logo mais” não são “pra já!” 

VII
Enquanto o sol beija meu corpo
Na fria manhã dessa quarta,
A folhinha com os dias marcados,
Parece caçoar da minha cara.

Veio tranquilidade, mas logo a má notícia;
Veio no dia à perícia, para dar certeza ao estrago.
Mas ponho forte o cordão, São Jorge pendurado,
E faço o branco pendão, a paz em imaginário reinado.

X
O Natal bate à porta,
Entorta e revive as letras já tortas e mortas;
O novo dia chega chegando,
Breve e erudito, compromissado compromisso
De haver algo novo e harmonia.

Beijo meu anel de São Jorge,
Ato falho, desnecessário...
Pois na fé sempre me agarro!
Coloco as chinelas que trouxe
De couro velho e sola de pneu de carro;
Coloco o pijama bem leve, 

E para o frio de Itaipava me preparo.

Despedida (I – XII) (Crato/Itaipava)

De tudo que foi vulto, agora é muito o que é céu, e é seu, e é meu, que me cerca e cega – num todo! Caço tumulto, e acho, porém não gosto mas finjo que gosto e me enrosco (chega a ser tosco). Vejo verdade e abraço; vejo regaço, t…

Assumo (ou não) o assanho

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Assumo (ou não) o assanho

Rasga-me neste tempo mesmo, este tempo teu; mostre tua alegria de ter-me todo.
Não, não é carência: é desenvoltura – é ser escravo da tua cultura, por querer ser feliz e ama(n)do.
Pegue teu chicote; minhas nádegas esperam para queimar, pois o coração já queima.
Abra minhas asas que há tempos escondo, encolho e ficaram no encalho... 
Faça-me voar só para ti – ao teu encalço – ao teu malho.

Assanho, assumo e ascendo e nada mais pode faz-me mal;
Assino embaixo para o assassino que me assente e encare a morte de frente.
Quero me ver envelhecer em frente a um grande e azul Mar de sal,
Não vou mais me envenenar em frente ao grande e turvo Mar de gente.

Sim, sim é solidão – muito além do “solidinho” e até mesmo do sólido.
Há muito material aqui: fiz armadura, fiz escudo, fiz espada, fiz garfos e facas, pontes e estradas e ainda sobrou para um imaginável e cômodo futuro.
Sim, sim é amor; e até algo além mais, além-nuvem e céu, além eu e além-vida... É algo além-morte.

Interrupção…

Mesmo assim

Pipe DreamThis is pretty damn amazing
Posted by Krafty Kuts on Domingo, 19 de outubro de 2014

Mesmo assim 
(André Anlub - 19/1/15)

Agora mesmo a alegria passou por uma rua,
Ela estava nua, estava fula, estava atormentada e vadia.
Olhou em todas as portas, portões, porteiras;
Olhou por cima dos muros e em murmúrios
Resmungou algumas asneiras... eram loucuras, coisas cruas...

Ela abriu janelas e meteu a mão nos cestos de frutas
E nas caixas dos correios...
(pegou algumas contas, cartas de amor, maças, peras).

A alegria soprou uma brisa, apagou algumas velas,
Espalhou a fumaça dos charutos e incêndios;
Atrapalhou as preces, os cantos nos terreiros;
Atrapalhou enterros e desacelerou as pressas.

Agora mesmo senti seu cheiro de mato lavado,
Senti seu ar gélido, fresco, encanado;
E como um refresco me afagou por dentro...
Acalentando meu mundo e meus imundos pulmões.

Vi alegria em multidões, senti suas fragrâncias...
Mas novamente vi a dor;
Senti o odor do suor dilapidado
Pelo horror de intolerância.

Mesmo assim a…