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Mostrando postagens de Abril 28, 2015

Ótima noite

E você aí achando que desenha ou pinta bem... :pO vídeo mostra o impressionante talento de Marcello Barenghi. É realmente de cair o queixo!Para conhecer melhor seu trabalho, acessem o site www.marcellobarenghi.com
Posted by JornalCiencia on Domingo, 20 de julho de 2014

Não quero paixão egoísta, profunda
Feita poça de chuva fina;
Não quero paixão quente
Feita água que o bacalhau se banha...
A paixão que quero deixou pista:
Muito beija, muito afaga,
Não apanha e não amarga... 
É brincadeira de criança... 
Pera, uva, maça e salada mista.

- André Anlub

Boa notícia

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Boa notícia
(André Anlub - 10/4/13)

A boa notícia é que começou a batalha,
Uma guerra geralmente sem vencedores:
Do marechal ao cabo, todos os soldados,
Sem quaisquer exceções,
São franco-atiradores:

Invadi o campo inimigo,
Fui render e ser rendido,
Sem a menor cerimonia,
Sem medo do sentimento,
Sem convite, sem umbigo.

Pude ver fatos delirantes,
A ternura tem dessas coisas.

Expus o sentimento ao vento
E o vento o levou emprestado.

Chegou a uma alta montanha,
Ao cume totalmente congelado.

A boa notícia é que descongelou.

O vento o trouxe de volta,
Mas deixou por lá forte resquício...
A sinceridade e o afeto,
A coragem de enfrentar corredeiras,
Rio abaixo, precipícios.

A coragem fez um homem melhor,
Mais atento e prestativo 
(que dá valor e recebe)

Encarando as tempestades que passam,
Aproveitando o solo fértil e a hora certa do cultivo.

A boa notícia é que as artérias vivem.

As veias não mais enferrujam,
O óleo quente e doce do sangue
Passeia dando alimento ao corpo,
Dando luz à vida e adoçando a alma.

Dueto da tarde (CXXXVII)

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Ator e diretor Antônio Abujamra morre em São Paulo Artista foi encontrado morto na casa onde morava em SP nesta terça. Ele também apresentava o programa Provocações da TV Cultura.

Dueto da tarde (CXXXVII)

Os olhares se cruzam bruscamente nessa tarde de verão; o sorvete vai ao chão e nesse exato momento cai uma tempestade de granizo.
A bonança vira Bonanza em momento de tiroteio, bandidos atacando Panderosa, os Cartwrigh defendendo sua casa com denodo.
O sonho torna-se real, a TV torna-se real; agora tem material para continuar o seu livro; agora achou quem procurava para protagonizar sua história.
Senta-se diante da memória e recompõe-se depois de um pequeno desequilíbrio. Imagina-se imaginando e é o suficiente.
O cheiro do chá quente se espalha ao som da máquina de escrever enquanto a brisa balança as cortinas finas que parecem dançarinas de balé.
Na fumaça azulada escrevem-se nomes e datas. Altera todas. Mistura todas. E sorri como um garoto na confeitaria.
Derrama no papel o que não viveu e …

Insanidades

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Insanidades 
(André Anlub - 19/8/11)

Teria que ter sido pelo menos companheira:
Mesmo não cobrando o amor que ela devia.
Não importa cargas d’água tenha denegado
Diz que viu duendes, vacas voando, unicórnio alado.

Teria que ter sido pelo menos afeição:
Mesmo se nada cobrassem, nem um beijo perspicaz...
Nem se o desejo vem ao acaso ter sido esnobado,
Meu corpo era seu leito, do seu jeito ao seu agrado.

Teria que ter sido pelo menos sincera:
Calada no nosso leito, fechando-se e indo ao sono;
Trancada a sete chaves, deixando-me em abandono,
Parte da realidade pintada como quimera.

Teria que ter sido pelo menos uma verdade:
Sendo personagem da imaginação mais fértil...
Viva no papel, nas idéias, um lindo sonho,
Que me deixa cancro exposto, frágil e medonho.
Teria que ter sido pelo menos qualquer coisa:
E foi muito mais que isso.