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Memórias da Guerra

What are they doing....What are they doing....
Posted by Mavi Kocaeli on Quarta, 29 de abril de 2015

Memórias da Guerra
(André Anlub - 19/4/11)

Em meio a fumaça cinza com um toque avermelhado,
Embaixo de um céu que é testemunha:

Vejo ferros retorcidos, destroços,
Corações calados, que gritam...
Vejo o tempo congelado.

Em meio às ruas esburacadas
Vejo pertences abandonados (abrigos)
Vejo um rio frio...

Rio de cartuchos que tiveram seus projéteis deflagrados,
Todos com nomes - objetivos
Calar um peito inimigo,
Um corpo latente a ser alcançado,
Silenciando-o e roubando-lhe sonhos.

Como o corte de uma navalha,
Como quem tira o doce de uma criança,
Como quem tira o amor e a esperança,
Em troca de uma medalha.

Madrugada de 1° de maio de 2015

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Madrugada de 1° de maio de 2015 (como onda só – assaz bela, mas só)

De quando em vez é melhor parar de pensar chatices. Na árvore da vida nunca se sabe qual galho segura o fruto, qual está podre e qual segura o fruto e se quebrará em podre.
De qualquer maneira se deve adubar sem o adubo dúbio do mais fácil, trivial e raso.
O abajur aceso ilumina meu conhecido bloquinho. E as sombras feitas na parede dos objetos que se mexem pelo vento do ventilador desafiam minha imaginação.
Taparam meus olhos para uma futura surpresa; desataram minhas mãos para as verdades do mundo. Os ouvidos voam atrás de boa música enquanto o corpo clama pela sobremesa. Agora não há mais tempo; não desisto nem do que já desisti. Pois vivo a remoer velhas charadas... Há tanta história dentro desse prólogo que eu poderia até parar por aqui. Mas vou além, o voo e as nuvens me aguardam nos vales querendo minha companhia. A língua está solta como nunca, a mente tinindo de alegria, e a sensação de nunca mais ir dormir sozin…

Dueto da tarde (CXL)

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Dueto da tarde (CXL)

A dor mora ao lado. E está pensando em mudar-se para mais perto.
Sua agudez é atroz e vem logo atrás sua aptidão de mutação para enfraquecer o alvo.
Muitas faces e a mesma. Muitas fases e a mesma. Imutável no diferente sempre.
A dor mora ao lado, mas aparece sempre para pedir uma xícara de açúcar. A dor não é nada vaga, mas ocupa uma vaga enorme.
Leva uma xícara de açúcar, fica para uma xícara de chá. E conta que, se pudesse, não ia mais embora. A dor mora ao lado, mas acha tudo muito longe. 
Já está pensando em alugar o quarto vago nos fundos. Não falou nada ainda, mas seus olhos dizem tudo.
Na janela estreita pensa em colocar cortinas, no parapeito um ou dois vasos, talvez pintar as paredes de azul-claro, para doer mais brandamente. 
A dor escreve excelentes poesias e também pode ensinar e indicar o caminho certo a seguir.
Há um flerte eterno com o amor, mas vive tranquilamente sozinha; há uma busca perene pelo fim, mas sempre estará presente no início.
Há dor na partida …