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Mostrando postagens de Maio 4, 2015

Anjo sedento

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Anjo sedento 
(André Anlub - 15/04/13)

Sedento cupido chegou, e nas costas carrega mágicas Flechas de ardor: - arco de osso de brontossauro, corda de tripa de Triceraptor, flechas feitas de costelas de homens que Semeavam amor.

São lançadas aos desígnios,
Voam ultrapassando cometas, 
Seguem as luzes das estrelas
E aos corações as carícias;

Fartas águas brotam límpidas em nascentes de rios;
Abriga, na paixão periga amparo, advindo da alquimia,
Já para – alvejado o amor.

Saciado, o cupido se engasga nas gargalhadas;
Deleita-se na verdade da entrega alheia... e em seguida lamenta (aos prantos) devora-se, grita, ajuíza e tonteia.

Inflama seu próximo armamento, derrama seu secreto tormento; de punho bem cerrado,
O arco e a flecha tomados na mão... 
Aponta para o próprio peito.

As paixões incompletas estressam, surgem, mas não se Deixam ver, ficam cobertas com o manto da noite
E somem no mais sútil alvorecer.

E por fim...

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E por fim... 
(André Anlub - 04/04/13)

Ela quer recuperar a autoestima,
Não ser a vítima dentro da situação...
Na contramão de um sorriso largo,
Na contradição de um fácil enigma.

Não quer falar nada sobre o salto alto,
Nem a inocência da criança interior.
Não fala do caro perfume de barato odor
Que ao apreço e ao berço impregnou.

Traz má sorte ver a cara da morte
Antes de consolidar o casamento.

Se for para elogiar, que seja seu consorte,
Se for para ferir, que seja o mundo inteiro.
Se há algum segredo nos que cultivam medo,
Deve ser mostrado, pois o solo é sagrado;
E se o mesmo é fértil (produz belos rebentos)
Esconde-se o erro, fere a fogo e ferro.

Inquilino

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Inquilino  (André Anlub - 28/6/09)
   Pela sutileza do olhar de Rosa, já sabia o que queria... Não devidamente falado, não claramente pensado, mas sempre demonstrava com o olhar o que antes refletira. Um domingo como qualquer outro. Frio lá fora e as árvores cobertas com uma fina camada de orvalho balançavam com o vento forte e gelado que vinha do sul. Aqui dentro, nessa casa velha de madeira e forno a lenha, a temperatura era mais amena; enquanto houvesse lenha haveria calor. Tinham também os cupins comendo as paredes e uma velha escrivaninha no canto da sala, que brilhava porque recebera um presente meu: uma lata de verniz que achei no porão, fez a mesma que outrora estava sem vida, ficar linda, com jeito pueril, uma anciã tornando-se novamente criança. Entardeceu e nuvens negras no céu. Eu e Rosa, no ostracismo da casa, sem recursos e com inúmeras goteiras... Perguntávamo-nos o que poderia acontecer.  Lá de fora ouvimos um som estranho, um pouco abafado e sem direção; o som foi aumen…

Dueto da tarde (CXLIII)

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Dueto da tarde (CXLIII)

O tempo valioso perdido aos ventos – no ar –, perdido na chuva que cai e banha e refresca.
A valia do tempo encontra-se com a valia da eternidade, que já se esfumou em nuvens que não mais.
Foram os tempos de leva e trás – sabor de júbilo na veia. Nos tempos de hoje o tempo vale ouro, mas o que é jogado fora se torna areia.
Areia espera água, água espera cimento. Nada é para sempre, mas tenta. Isso atenta. 
O tempo que não volta atrás – frase difícil –, mas o preocupante é o tempo que não segue em frente.
Pré-ocupação. Vem antes do que de fato existe. E o que de fato existe é tão passante como o que não se consegue prender com as mãos.
Como a água que passa entre os dedos – cai ao chão –, passa entre empecilhos e como um trem em tortos trilhos viaja e se mistura com a gravidade do tempo, terra do tempo, mar do tempo e areia.
No coração do coração há uma incerteza. E é exatamente o que dá certeza de viver. No coração do coração há uma insegurança. E é exatamente o que dá…