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Isadora de madeira

EPICALLY TERRIBLE BEAUTY! / Chile’s Cabulco volcano April 23, 2015EPICALLY TERRIBLE BEAUTY! Chile’s Cabulco volcano April 23, 2015#Cabulco #Chile #volcano
Posted by DJ MISS FTV on Sábado, 2 de maio de 2015

Isadora de madeira
(André Anlub - 28/5/12)

Desabrochando a vida na beleza do lírio
No quintal, ao pé do pé de tâmara.
Começa o dia com o vento ligeiro,
Brisa fria que lhe acaricia a face.

No enlace do tempo há inúmeras lembranças
Nos seus olhos que refletem as altas montanhas.
O coração ainda segue quente de amor,
Mãos calejadas e talentosas,
Esculpem,
Em madeira nobre,
O rosto de Isadora.

Amor perdido na foice do vento que passou:
Foi há tempos,
Foi doença.
Na madeira e nos sonhos ele a tem de volta...
São noites longas,
Noites quentes e belas;
Vozes e camas,
Portas e janelas,
Sussurros e gemidos...
Tudo esfria no frio que lhe acorda.

Jamais sorriu tão grandemente,
Esconde seus jovens brancos dentes,
Bem próximo aos amarelados caninos.
Na saudade de extintas vertentes,
De doces carinhos e fragores,
No mesmo me…

Tarde de 7 de maio de 2015

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Tarde de 7de maio de 2015 

Hei de entender o ser humano; mas vou deixar novamente para o outro outono, senão acabo por desistir. Um tímido e velho amigo encontrou-me no meu bar preferido, apertou-me a mão e bebeu lentamente o seu forte drink. Saiu deixando uma untuosa gorjeta; pagou com uma nota de dez e não quis troco... De repente devia dinheiro por lá.
Fiquei eu cá, tomando minha cerveja e pensando: a consciência limpa é o melhor elixir. 

A torneira gotejava sua goteira de sempre sobre pratos sujos e talheres tortos de cabo de plástico colorido, rachado ou com marca de queimado. Assim era o “pé sujo” (mas limpo) bar do Gilberto. É, esse mesmo, “o meu preferido”. Houve época que eu batia meu ponto por lá toda semana. Comia meu espetinho das dezenove horas, às vezes camarões médios – às vezes linguiças de frango e porco –, eu adorava aquele ambiente sereno, de canto de rua, de canto de pássaro, de silêncio de música e poucas palavras. Havia mesmo era muito barulho dos caminhões que por …

Dueto da tarde (CXLVI)

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Dueto da tarde (CXLVI)

Minha vida foi bater à porta de tua vida e encontrou uma placa “à venda”. 
Vi-me vendo o desalento e desafiando a esperança.
Limpei os pés em um tapete ralo e deprimente e com eles pisei num assoalho carcomido de cupins.
Os fins – a meu ver – nunca justificam os meios, mas por acidente veio-me o apego.
Olhei os teus retratos desbotando nas paredes, um resto de flores secas num vaso rachado e meu peito se apertou.
Olhei o corredor longo e extremamente estreito levando àquele quarto abafado e lembrei-me dos nossos corpos ali, sem jeito, fazendo amor.
Lembrei dos cigarros que já não fumo, da “smoke gets in your eyes” ao me perguntar o silêncio o que eu nunca te respondi.
Há absolvição de inocentes? Se há, quero a minha. Nesta história incoerente e nada a ver, tiro o corpo fora e viso que risque o meu ser.
Nenhuma de minhas tatuagens conta melhor esse conto que o ferro em brasa da memória. 
Na cozinha o cheiro do guisado – nos armários o da naftalina; na retina a visão das pa…

Outros ares

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Se há uma extrema exceção – um em milhões, por exemplo –, é aquela história: “achar uma agulha no palheiro”.  Não há utopia nisto, é só tascar fogo na palha.

Vou degustar outros ares,
Novos mantras e músicas,
Devorar os segredos
E digerir o dom.

Vou esculpir o vão
E redesenhar velhos mares,
Fazer da vida um folguedo
Num real sonho bom.

Vejo o ser montanha russa,
Dando tapa na fuça da depressão.

Vejo a beleza em rubores de fúcsia,
Sendo cor ou sendo flor,
Sempre adoração.

André Anlub