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Mostrando postagens de Maio 25, 2015

Armageddon II

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Armageddon II
Caçadores de cobiças e amores perdidos Senhores dos seus projetos de ações duvidosas Jardineiro na ufania das flores de cera de ouvido Decifram a nostalgia de ocorrências rigorosas.
Lenhadores brutamontes com os seus machados cegos Filhos de escravas negras com índios São brancos com seus olhos claros de guerra Sem ego, mas com a ganância de buscar o infinito.
Se a chuva de meteoros chegar em má hora E quatro cavaleiros lhe derem guarida Com parcimônia de quem cultiva uma passiflora Empunha a espada, dá meia volta e procura saída.
Vivendo em um singelo passado do agora Azul que faz fronteira com um feio absurdo Os vieses que ecoam aos ouvidos de muitos Aquecem como o nome de Nossa Senhora.
-André Anlub

Dueto da tarde (CLXIII)

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Dueto da tarde (CLXIII)

Deu a volta ao mundo, olhou bem pelas frestas, lacunas, arestas, entrelinhas, montanhas e esquinas e não achou.
Deu a volta ao infinito – assim parecia – e quando olhou bem estava no mesmo lugar.
Deu-se então a escrever em pergaminhos todos os seus sonhos vividos e suas lembranças presumidas.
Escrevia, queimava seus escritos, jogava as cinzas no ribeiro aos fundos de casa e deitava para sonhar os resultados.
Ao sonhar com resultados – as consequências – dava-se então novamente a criação – a causa – e outra volta ao mundo.
Viciado no círculo vicioso, era um hamster em sua roda, testando os limites da sua resistência. 
Diz-se então sã, e todos são... Assim sãos os pensamentos como o cão correndo atrás do rabo e o lago que todo ano congela... Parecem recorrentes, e são.
Recorre, corre, concorre e o tempo transcorre em seu desfavor: já são onze horas, não jantou ainda, não entendeu nada ainda.
O mundo veio à sua porta cobrar à forra. Quer dar uma volta a sua volta, quer vê-…

Dueto da tarde (CLXII)

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Dueto da tarde (CLXII)

A faca penetra gelada no coração e exige ser bem recebida.
De imediato a dor se espalha, percorre todo o corpo e estaciona no cérebro.
Cérbero à porta, rugindo inutilmente com as três bocarras: Isso é injusto!
As sensações explodem enquanto a lâmina malandra, cega, carcomida pela ferrugem vai se fragmentando.
Dissolve-se a faca gelada no coração, dilui-se no sangue, passa a circular com ele. O corpo estranha mas precisa continuar vivendo.
Agora o corpo mais quente, há brilho nos olhos, suores na mão e os sintomas que beiram uma contaminação.
“O que é que você tem?” “Uma faca velha correndo nas veias”. “Não acredito!” “Eu quase também não”.
A alergia piora, a dor torna-se quase intolerável, o coração apressa e a pele comprime... Tudo isso quando ela está por perto.
Quando ela está dentro, é pior ainda. E quando ela penetra gelada exigindo ser bem recebida, parece que o sentido de honra do mundo foi para o esgoto.
Pode haver o revide – deve haver o retorno. Uma espada dos T…

A Perda da Fé

Teístas e Ateístas... 3,2,1 para começar o bla bla bla
Posted by Oscar Filho on Quarta, 6 de agosto de 2014

A Perda da Fé                 
(André Anlub - 21/1/11)

A visão mais turva, suja,
Deixa que eu mesmo piso na uva.
Sei que irá curar o desalento,
Muito mais fácil deixar cair dos olhos uma chuva.
Cansei de levantar para o céu as mãos,
Engasgo com o medo, ébrio e hipocondria.
Supre a dor com o Comprimento de um comprimido* comprido...
Levanta e não cai de joelhos ao chão.
Dizem que um Deus te ama!
O resto do mundo não.
Todos os elos dessa corrente,
Foram tomados pela ferrugem.
Águas só me molham, aos outros ungem,
Palavras incertas e ditos incoerentes.
Com os nossos cabelos ao vento
Que acabam levando a vida,
Uma partida fez-se momento,
Para um lugar bom será sempre bem-vinda.
Como sabemos dos nossos erros
E como fingimos indiferença.
Como negamos todos os zelos
E como sofremos com nossas crenças.
Dedão nas orelhas,
Mãos espalmadas
E línguas a mostra...
Armado o circo, chamamos os santos.
Com olhos cegos solte…