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Mostrando postagens de Junho 1, 2015

Dueto da tarde (CLXVII)

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Dueto da tarde (CLXVII)

Perdeu-se da floresta e foi parar na escuridão selvagem da cidade grande.
Terá que reaprender a viver. São selvas diferentes.
Perdeu-se da floresta e foi parar na escuridão selvagem da cidade grande.
Terá que reaprender a viver. São selvas diferentes.
Fez residência ao pé de uma única grande árvore no meio de tantas paredes de pedra.
Quase morre de melancolia. Uma árvore não é centenas de árvores, não é um milhão de árvores.
Quase vive de agonia. Muro alto não é encosta; muro baixo não é cerca viva.
Viver da sobra do resto da sobra não é caçar e festejar a caçada. 
Carrega com prazer a ordem de seu vício em cheirar o mato, o orvalho, passar o dia no lago, pintar o céu e repintar as manhãs e fins de tarde... Mas não se vicia em desordem.
Passa um ônibus, um caminhão, uma ambulância, duas motos, um táxi. Não passa boi nem boiada. Nem o arrependimento.
Passa uma lua por alguns minutos nos reflexos em edifícios banais; passa o sonho de um vagalume que vaga em meio a tantas lu…